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Album [XXIV] : Mulheres do Soajo

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Postais comprados no Mezio, a superioridade numérica das viúvas nas montanhas do Minho tornam óbvio que os homens são criaturas pouco fiáveis e mal adaptadas a este estilo de vida

Tentativa, erro, tentativa

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Quando ás vezes ocorre uma sequência de coincidências num curto espaço de tempo parece que algo exterior a nós se deu ao trabalho de nos conduzir com pouca subtileza a um raciocínio pré definido, e quase acreditamos que há alguma maquinação superior envolvida.

Numa semana há pouco tempo atrás fui abordado por um casal amigo vindo de Israel e que conheci durante o WWOOF porque tencionam fixar-se cá e na altura tinham gostado de um local em Odemira auspiciosamente caracterizado pela ausência tanto de rockets como de Haredim.
Falamos um pouco das especificidades de viver em Portugal e do modo como pretendiam integrar-se através da produção agrícola e turismo e também do local que acabaram por escolher, numa encosta contígua ao Vale de Santiago.
A escolha acabou por ser fácil porque descobriram no local outros oito expatriados israelitas que tinham escolhidos terrenos vizinhos para se fixarem e a vinda deles serviria para intensificarem a junção de esforços e despesas.

Esta coexistência levanta-me sempre alguns receios - quando se escolhe um terreno algo tão importante ou quase como  a água é a vizinhança. Quando se está a comprar o terreno é fulcral, quando se quer partilhar é um teste de diplomacia embora quase nunca o aparente no entusiasmo inicial. Felizmente o pragmatismo deles parece levá-los numa direcção mais próxima de um condomínio do que de uma comunidade no sentido coabitacional.

Casa principal em Janas, quando a visitei ao descer de bicicleta (á esquerda) pelo litoral


Poucos dias depois durante uma conversa com mais um membro deste microcosmo de excêntricos (na verdade é um elogio) sei que a ecoaldeia de Janas, comunidade no sentido coabitacional que visitei há pouco mais de um ano, estava agora, depois de um período de incerteza de há uns meses, a "recrutar" pessoas do resto do país para continuarem o seu projecto. Estão em Sintra e são um sítio interessante para visitar, especialmente agora que consolidam a sua actividade, mais centrada na formação e na relação com a cidade. Acho que é uma opção que faz mais pela sua viabilidade do que uma noção mais purista de viver de e para a natureza exclusiva e autonomamente.

No final da semana as duas coisas cruzaram-se quando a meio d' Os Operários de Raul Brandão (que aprecio mais como cronista), encontro o capítulo "Uma Comuna no Alentejo", sobre a  Comuna da Luz do anarquista tolstoiano António Gonçalves Correia (cuja frase "A revolução é a minha namorada" ficou como uma improvável herança literária). Foi a primeira experiência de uma comunidade anarquista em Portugal e procurou pôr 14 pessoas a viver segundo princípios igualitários, do vegetarianismo e do amor livre.

Independentemente do enquadramento ideológico o projecto é muito interessante: os residentes trabalham para o seu sustento e troca com a comunidade, através da componente agrícola e artesanal (calçado), a auto-construção garante habitação para todos, as tarefas são partilhadas e eventualmente incluiria depois uma escola básica e oficinal aberta.
Das poucas imagens que encontrei na internet sobre a Comuna da Luz, infelizmente Brandão não era também fotógrafo
Fonte 1 e fonte 2

Se em 2014 uma comunidade assim é relativamente bizarra a sua concretização em 1917 é totalmente explosiva, especialmente porque (apenas) um dos seus membros era uma corajosa professora. Inevitavelmente a experiência foi sendo esmagada por todo o tipo de pressões, que inclui a acusação de envolvimento numa conspiração para assassinar Sidónio Pais. Provavelmente o desiquílibrio entre géneros e a inexperiência inerente a algo deste tipo teria aniquilado a comunidade de qualquer forma, e dois difíceis anos depois foi-se a Luz.

Existiu a escassos quilómetros do local onde os israelitas desenraízados estão neste momento a estabelecer-se.Depois do fim da Comuna da Luz foi fundada nova e igualmente fugaz tentativa pelo seu líder intermitente, chamada Comuna Clarão, a escassos 10 quilómetros de Janas também em Sintra.

Transmiti esta curiosidade a quem me apresentou a estes locais mas não suscitou grande interesse. Alguns locais parecem destinados a acolher ciclicamente certos cenários e os actores improvisam novos guiões com maior ou menor consciência do material de base.
Por mim, no papel sempre secundarizado mas de total privilégio de assistente na plateia, estou ansioso por visitá-los no próximo Verão.


Album [XXIII] : O Amor da Mulher da Hortaliça

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postais da alvorada do regime via Almanaque Silva






Armas de Alimentação Maciça

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A nova Lei Europeia das Sementes, actualmente em discussão no Parlamento Europeu e já na 3º versão, propunha inicialmente uma legislação draconiana que fundamentalmente ilegalizava toda a preservação e troca de sementes de variedades não-comerciais, na quais se inclui grande parte do património genético agrícola.

A excepção seriam os casos em que estas variedades fossem adquiridas por empresas comerciais de sementes (que iam reter direitos de autor sobre estas variedades) ou em que a ONG de preservação observassem um conjunto de regras que determina que ou se mantêem para sempre como micro-grupos sem capacidade de "fazer mossa" na agro-indústria ou que crescessem e assumissem um escala e estrutura interna semelhante aos grandes produtores de sementes, acompanhada das taxas correspondentes.
Entretanto, sob uma chuva de protestos, estas condições foram diluídas e enterradas sob jargão legal e regimes excepcionais, não sendo ainda compatível com aquilo que é próprio da civilização.
A UE demite-se assim do papel que poderia ter na preservação de uma das suas maiores riquezas e na defesa do direito universal à alimentação, providenciada por variedades adaptadas regionalmente.

Isto significaria um precedente escandaloso: uma actividade fundamental da Humanidade há milénios como é recolher, preservar e trocar semente (em tempos usada como moeda) e o sustentáculo base da civilização como é a agricultura de subsistência seria alvo de propriedade exclusiva, uma patenteação da vida que a um nível mais absurdo seria como definir a propriedade da chuva em determinada área.
E assim de repente o que era impensável torna-se questionável face à voracidade do elevado potencial de rentabilização do que é essencial, luta que a habitação e energia já perderam há muito e em que a saúde e educação sofrem derrotas constantes.

É por isso que se corre o risco de daqui a alguns anos uma espécie de terrorista ser aquele que produz a própria alimentação; que recolhe a própria água e energia; que constrói a própria habitação sem recorrer a crédito; e finalmente, que recolhe e partilha a própria semente.
Satisfazer as nossas necessidades fundamentais fora da esfera do consumismo torna-se cada vez mais um acto de subversão política quando deveria ser um direito fundamental associado à sobrevivência básica.

Entretanto, sou sócio e futuro guardião desses "perigosos clandestinos" da Colher para Semear, repositório nacional e voluntário de uma riqueza patrimonial comparável ou superior aos Louvres deste mundo - a vida das sementes é a nossa vida. Encomendem e plantem. Resistam.


5 Irmãos criaram a União, quando partilharam a água decidiram ficar

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Através do Pedro Rocha cheguei ao documentário completo do pioneiro do documentário António Campos, sobre a vida comunitária de Vilarinho das Furnas antes da sua submersão. Um trabalho que mostra um universo agora já na sua última geração, que é disponibilizado no Youtube pela UBI Filmes.

Já tinha referido este documentário e o Almadraba Atuneira neste post anterior.

Apontadores [XXI]: Autóctone

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Alguns apontadores sobre produtos, raças de animais e variedades de plantas de Portugal

Mapa dos DOP/IGP
Uma lista completa de todos os produtos alimentares com origem e/ou método de fabrico protegido. Não é só o que podíamos exportar e consumir mais, é um património. Aqui em lista por extenso, e aqui só as frutas.

Programa para a Promoção dos Ofícios e das Microempresas Artesanais
O programa de apoio à complentariedade de actividade agrícola com actividades artesanais da DGADR. Boas intenções mas os moldes são ainda tímidos para o potencial que por enquanto ainda vai existindo.

Ruralbit - Fotografias de Raças Autóctones
Uma base de dados informal mas com todas as raças e com alguma informação básica sobre cada uma. Cada raça tem uma associação própria que em parceria com o Governo ajuda a definir os padrões.

Federação Nacional das Raças Autóctones
Uma lista de todas as associações encarregadas de proteger o património genético e que prestam alguns serviços de consultoria e contactos de criadores para os interessados

Apoios complementares aos criadores de raças autóctones
Nas raças elegíveis não faz qualquer sentido que esteja destacada a raça bravia (usada nas touradas) e depois não apareçam raças que estão associadas a produtos IGP como a Cachena. Um absurdo.

Flora de Portugal
O portal Flora-on é um tesouro de referência rápida, fico sempre impressionado com as variedades silvestres que não imaginava que existiam

Plantas Invasoras de Portugal
O reverso também é importante conhecer, como esta lista das plantas invasoras no país, com uma descrição  sintética. Também não imaginava que algumas destas fossem invasoras.

Banco Português de Germoplasma
Um património vivo único no mundo que é mantido em Braga tem uma história de luta contra a extinção que dava um filme. O maior banco de germoplasma da Península e contribuidor para os congéneres mundiais merecia mais do que nunca o mesmo reconhecimento e cuidado que se dá às reservas de ouro em Lisboa.

Mapa Etno-Musical de Portugal
Muito interessante este mapa interactivo, que inclui alguma da música tradicional da lavoura (com recolhas de M. Giacometti). Por bairrismo e não só gosto da muralha sonora do Canto Polifónico Minhoto, alguém ponha estas mulheres a desafiar os homens da variante Alentejana.

TV Rural [XX] : Algumas Reportagens em Portugal

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"Os novos Agricultores"
Com o Pedro Rocha da Raízes, cujos produtos podem provar também na Casa da Horta (visitem-nos em Gaia e no Porto, tudo malta excelente!)

"A Agricultura em Portugal"
Um breve panorama geral da produção agrícola em Portugal, importante escutar a Maria António Figueiredo, que tem feito um excelente trabalho no OMAIAA

"O Mel em Portugal"
Mais um pequeno retrato da produção apícola no país, que irá nos próximos anos conhecer algum crescimento com a geração Proder, ver por exemplo as colmeias tradicionais feitas pela Timberbee

"Famílias Portuguesas Regressam ao Campo"
Mais uma reportagem leve com a intenção de focar mais o aspecto de mudança de rotina do que dar um retrato do chamado regresso ao "campo", que ainda é estatísticamente irrisório apesar do mediatismo

"De Sol a Sol"
Herdeiro do mítico TV Rural, um programa que foca tematicamente e com algum interesse um tema específico em cada episódio

"Celestino Santos deixou carreira como repórter fotográfico e tornou-se criador de galinhas"
Conheci o Tino, produtor de ovos biológico e dono da empresa Ganda Pinta, no meu último anfitrião WWOOF. Os ovos dele podem ser comprados no Mercado da Ribeira em Lisboa na loja do Freixo do Meio.

Um debate interessante sobre os mitos e realidades acerca das oportunidades e potencial da agricultura

Como mover penedos

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Cachenas a pastar junto ao rio Vez







Fui há tempos fazer um percurso de 3 dias à Peneda. Num café numa das etapas a curiosidade mútua levou a que me perguntassem o que estava lá a fazer sozinho e a que eu depois perguntasse sobre o uso que se ainda dava às Brandas porque muitas estavam visivelmente ocupadas. Acontece que lá vão vivendo com os apoios ao gado Barrosão, Cachena e Churra mas é quase tudo para auto-consumo oficial ou não-oficial (ou seja,  redução de efectivo para "auto-consumo" dos restaurantes locais).
A conversa lá vai inevitavelmente para os velhotes isolados - a aldeia seguinte, com 53 pessoas, está a duas fatalidades masculinas de ser uma comunidade matriarcal porque os homens inevitavelmente se gastam mais rápido e vão indo à frente.

Um dos homens do café, como o Clark Kent a abrir a camisa, de repente diz - "olhe, eu sou o Presidente da Junta daqui". Depois explica, com o café só com a senhora a lavar as chávenas (que é de outra freguesia), que daqui a 20 anos a freguesia em que estamos quase não existe - todos (todas?) passaram já o limite estatístico da esperança média de vida.
A mania de maçarico ingénuo que quer ter um projecto agrícola causa depois a habitual sequência de surpresa, cepticismo e troça mas conclui o sr. presidente - com razão- que não há um movimento desse tipo com escala suficiente para ocupar aquele território da mesma forma ou com a mesma intensidade de outrora, nem mesmo com a ajuda do turismo. Fica assim implícito um retorno de grande parte daquela paisagem a uma colonização florestal mais ou menos espontânea que não existe nalguns locais há séculos ou mesmo milénios.
A única esperança daquele sítio, continua, era de que os filhos emigrados das pessoas que lá estão, agora perto da idade de reforma, se aposentassem naquele local. Vendo as famílias luso-francesas que passaram naquele café pouco tempo antes, com netos/bisnetos loirinhos que já só falam a língua materna, custa-me muito a acreditar que alguma vez ficassem nas montanhas longe dos filhos e de um estilo de vida que lhes custou muito a atingir.

Ao ir embora dias depois ia vendo a cena recorrente desta região (na imagem acima), em que os solos profundos junto aos rios, outrora reservados nessa altura para culturas mais exigentes e valiosas, são transformados em pastos durante o ano todo porque, fora o vinho verde, já é a única produção compensatória que resta. Como não posso competir com este "arrendamento verbal" para gado que é renovado ano a ano, com a minha necessidade de ter papéis para concessão a 10-15 anos para culturas perenes parece que é cada vez mais esta a direcção da zona até que se mudem as atitudes e se apostem nas culturas agro-florestais aptas aos solos férteis e clima desta região e em atrair outras pessoas para além dos retornados francófonos.

As mãos tornadas visíveis

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Todos os objectos têm uma vida secreta por causa da distância que existe hoje entre a sua produção e o seu uso ou consumo final, mas se no caso da produção industrial convencional os bastidores impressionam pela sua escala e complexidade logística no caso da produção manual somos surpreendidos pelo esforço, tempo e grau de conhecimento acumulado que lhe são intrínsecos.
É por isso que não conhecer o processo e os seus protagonistas no caso do trabalho manual é não conhecer totalmente o objecto e fatalmente não lhe atribuir o valor que tem, que merece reconhecimento.

No meio de tantas iniciativas, seminários, projectos, acordos de cooperação e afins para dinamizar as "indústrias criativas" e o "design nacional" surge sempre a frustração por não se verem os resultados concretos de tudo isto e a materialização destes esforços mais ou menos consequentes.

Felizmente existem as excepções que mostram os ciclos que ligam a produção das matérias-primas da paisagem até à produção manual de objectos, objectivo do projecto Saber Fazer, e que levam esse trabalho de registo a um trabalho que tem repercussões, como por exemplo tornar estas técnicas e materiais relevantes na produção de objectos de hoje em vez da habitual perspectiva estática e museificante que impede a renovação e perpetuação deste conhecimento.
Nestas imagens e no restante registo associado fica visível o trabalho de tantas mãos e todo o enorme potencial que contêm.

Saber Fazer
NoussNouss






Apontadores [XVI]: As ilhas desconhecidas

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Contra os cereais e rações caras : Vacas "low tech
Escalada no preço das rações preocupa produtores de leite açorianos. Os investigadores põem em causa as vacas de elevado rendimento e sugerem o regresso a animais alimentados apenas com erva.

Açores podem ser auto-suficientes na horticultura
 Na cerimónia de apresentação de um Plano Estratégico para a diversificação da agricultura na ilha do Faial, destacou a evolução dos serviços prestados pela Loja do Triângulo que comercializa e promove os produtos açorianos.

Açores e Madeira podem vir a ser “ilhas sustentáveis”
A ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, poderá ser totalmente sustentável. São Miguel já produz energia geotérmica e “podia aumentar a quantidade de energia produzida”.

Embaixador norte-americano contesta possível zona livre de transgénicos nos Açores

O embaixador norte-americano apelou, por isso, a que as autoridades revejam a sua posição e permitam que os “agricultores açorianos tenham acesso à mesma tecnologia que já é usada no resto do país e do mundo”.

Açores livre de organismos geneticamente modificados
Fica proibida a cultura, sementeira, plantio ou criação, por qualquer método ou técnica, de organismos geneticamente modificados, à excepção da produção ou introdução para fins de investigação científica ou desenvolvimento tecnológico de manifesto interesse público.

Clima nos Açores aproxima-se das características mediterrânicas 
"Defendemos uma aproximação da política à investigação e experimentação para encontrar novas espécies de cultivo de milho ou gramíneas e leguminosas que constituam pastagens mais resistentes à ausência de precipitação”.

Lagoa das Furnas está melhor, mas qualidade da água vai continuar má durante anos

Eutrofização causada pela acumulação de matéria orgânica no fundo é o problema maior. O fim das pastagens e a retirada do gado da zona fez baixar os níveis de azoto e fósforo.

Carne dos Açores tem características únicas e pode prevenir doenças
"Desde logo, devido ao maneio alimentar dos animais que, pelo facto de ser suportado muito em pastagem, transmite à carne características nutricionais e funcionais e a presença de compostos que, para além do valor nutritivo, quando ingeridos pelos consumidores protegem-nos de determinado tipo de doenças".

Já há mais bovinos que humanos nas ilhas
A questão é que eles comem muito mais do que aquilo que os produtores açorianos conseguem produzir e por isso boa parte da sua alimentação é importada.

Viveiros regionais têm 500 mil plantas endémicas para ajudar a preservar a floresta
A produção dos viveiros, além da reflorestação, destina-se a “abastecer as áreas que vão ser arborizadas na Lagoa das Furnas e nas Sete Cidades com a implementação dos planos de ordenamento da bacia hidrográfica

Best and Worst Islands Rated

The archipelago was ranked second because the Azore's strong culture and healthy ecosystems are likely to last, especially since the islands' "capricious climate probably impedes the flow of tourists"

SPEA apresenta posição sobre caça nos Açores
Defende-se a suspensão da caça com munições de chumbo em sistemas aquáticos e a regulamentação da caça em áreas protegidas e de interesse para turismo de natureza. As medidas propostas, se implementadas pelo Governo, poderão colocar a região dos Açores na vanguarda da caça sustentável a nível europeu.

Album [XV] : Açores

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Uma ida a um alfarrabista produziu esta colectânea de postais relativos à agricultura nos Açores, que serve para matar as saudades que insistem em aparecer.





TV Rural [XVIII]: Do Minho ao Algarve

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Dois filmes do cineasta António Campos que têm como objecto duas comunidades com modos de vida e localizações praticamente opostas- uma aldeia piscatória do Algarve ("Almadraba Atuneira") e uma aldeia de pastorícia nas Montanhas do Gerês ("Vilarinho das Furnas"). 

A permanência do documentarista dentro destas comunidades durante longos períodos permitiu-lhe não só capturar as suas especificidades e diferenças como também as suas inesperadas semelhanças.
(Não encontrei um modo de ver ou comprar o "Vilarinho das Furnas", agradeço informações)



Parte 2, Parte 3




Desabafo

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A oferta formativa em Portugal para a agricultura distribui-se em 3 campos: formação profissional equivalente ao liceu; cursos ultra-específicos de fim-de-semana para o mais básico dos amadores e licenciaturas ou formações apenas abertas a técnicos.

Não existe absolutamente nenhum meio intermédio de formação prática e intensiva que permita a conversão de mão-de-obra em produtores qualificados sem requerer anos de aulas, não existe acesso a cursos profissionais sem ser para produtores estabelecidos, não existem estágios nem formação prática e profissional sem ser aquela providenciada em programas dirigidos exclusivamente a desempregados de longa duração.

Em muitos países não é preciso ter um curso técnico para trabalhar na manutenção de espaços verdes, nem 2 anos de treino em máquinas agrícolas que nem carta de condução exigem. A solução foi outra:  "on-the-job training", que permite aprender e fazer rapidamente e ao mesmo tempo e que permite que a mão-de-obra disponível possa rapidamente começar a trabalhar.

Esta formação para o certificado tem que ser complementada por cursos mais pragmáticos que permitam trazer rapidamente mais gente para a Agricultura.

Proposta para incentivo da produção nacional através dos Municípios

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Estive no Sábado no evento "Terra Sã" organizado pela Agrobio e interpelei a representante da Ministra da Agricultura no Seminário dedicado à Segurança Alimentar.
Fiz uma proposta que já enviei, sem resposta, a todos os partidos e organizações relevantes no âmbito da agricultura, que passo a descrever: 
 
"Assistimos a cada vez mais apelos para consumo de produtos nacionais como forma de estimular a agricultura nacional e a economia do país. Ao mesmo tempo muitos produtores de pequena dimensão ou de zonas mais isoladas têm dificuldade em crescer ou escoar os seus produtos, devido
a um conjunto complexo de problemas.


Portugal tem mais de 300 municípios, sendo que cada um deles gere várias cantinas, bares e refeitórios- só no Município do Porto são mais de 40 cantinas.

A maior parte do abastecimento de bens é feito através das Compras Públicas ou da contratação de serviços de "catering" segundo recomendações das entidades contratadoras que são os Municípios.

Proponho que todas as compras públicas da área alimentar dos municípios coloquem sempre em prioridade de acesso ao abastecimento das instituições os produtores locais, regionais e nacionais de produtos agrícolas frescos ou transformados.

Nos concursos para fornecimento de refeições completas uma condição
para o concurso deverá ser a aplicação do mesmo critério para os ingredientes a preparar, sem prejuízo das indicações nutricionais para as ementas (e alguma flexibilidade devido à sazonalidade de muitos ingredientes). A escolha do fornecedor deverá tem em conta não só a sua capacidade de fornecimento como uma discriminação positiva que privilegiando explorações agrícolas locais e de menor dimensão, se necessário distribuindo-as pelas várias instituições. A selecção seria também condicional ao cumprimento de toda a legislação em vigor relativa às condições de higiene, conservação e transporte.

Isto permitiria vários aspectos positivos: acesso a um mercado regular e local por parte de pequenos e médios produtores locais por todo o país; o "Estado a dar o exemplo" nas suas compras públicas e por fim as crianças, funcionários e utentes de serviços sociais teriam a oportunidade de ter maior consciência da sazonalidade e especificidade da sua culinária local, que se reflectiria nos menus."


Nuno Oliveira

Apontadores [XIII] : Produzir, vender e comprar com ética

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Produtores agrícolas acusam grande distribuição
Distribuidores de fruta ficam com uma margem de lucro de 50% a 200. Há que saber vender e escoar os produtos de outra forma, e ganhar mais poder negocial. A grande distribuição oferece concentração de escolha e conveniência de acesso. Produtores unidos podem oferecer o mesmo, nos seus termos.

Continente e Pingo Doce entre os dez maiores importadores
Números para as compras nacionais são exagerados, uma vez que a experiência diz que a fruta e legumes portugueses estão em média abaixo dos 50%, a origem das marcas brancas não aparece na embalagem e contabilizam os processados em Portugal como "produção 100% nacional".

Empresário rompeu com os hipermercados e não se está a dar mal
Um pequeno produtor abandonou distribuidores e armazenistas e vende fruta pela internet, o sucesso da comercialização directa em pequena escala tem o potencial de mudar todas as regras do mercado actual.

Produtores de Mora vendem mais barato em mercado livre de intermediários
Os mercados municipais são a base fundamental para apoio aos micro-produtores e o meio de acesso ao comércio local e de proximidade. Mas são um modelo que tem que ser capaz de se reformular.

Preço do melão triplica entre o produtor e os hipermercados 
As importações de países que fornecem mais barato (por vários motivos) é usada como arma para atirar compra aos produtores nacionais para valores próximos do custo de produção mas produtores precisam de se unir para ganhar peso negocial e autonomia.

Como a grande distribuição pressiona os seus fornecedores
Um rol das principais estratégias de que grandes distribuidores utilizam na negociação de preços e contratos com os produtores.

Truísmos [XI]

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(escutado nesta reportagem sobre dependência alimentar e a PAC)


"(...) Nessa altura falei com um senhor que trabalhava no tribunal e ele disse-me assim: não devia produzir mais hortaliças, que eles dão-lhe dinheiro para não produzir. Eu respondi-lhe: "Meu amigo, ninguém dá nada a ninguém!" Tinha razão ou não tinha !?"

TV Rural [XII] : Estado da Arte

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A última Grande Reportagem da SIC conseguiu um ponto de situação bastante completo, para uma síntese de 35 minutos. É um retrato muito simples e muito acessível dos vários tipos de desafios que nos enfrentam.

Apontadores [X] : "Não há tão ruim terra, que não tenha alguma virtude"

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Governo investe 700 milhões de euros para actualizar cadastro das propriedades

"Quando for impossível descobrir os proprietários, os terrenos ficam para o Estado.Na verdade, acrescentou, Portugal é praticamente um caso único na Europa por ter tantas propriedades sem dono."

"A Fenafloresta pergunta “como é possível ainda estarmos numa fase experimental” e se “durante dois anos iremos cadastrar sete concelhos de 308”."
Agricultores reclamam apoio 'para quem trabalha a terra' 

"A CNA, que representa as pequenas explorações familiares, sustenta que a «desastrosa situação da lavoura e do mundo rural português» se deve às «más políticas agrícolas e de mercados» dos Governos das últimas três décadas."
Portugal tem 2 milhões de hectares de terra abandonados 

"A questão agrícola deve passar a fazer parte dos interesses dos autarcas nos próximos instrumentos de planeamento. O paradigma da globalização vai mudar, os mercados locais e regionais vão ter cada vez mais importância"

Desertificação e aridez dos solos atinge mais de 60 por cento do território continental  

“Na última década, as áreas desertificadas no nosso país aumentaram para o dobro, ou seja passámos de 32 por cento de área desertificada e árida para mais de 60 por cento”

Menos 390.000 hectares de área agrícola


"O abandono da actividade e encerramento de explorações não são a única explicação para este decréscimo. O secretário-geral da CAP, Luís Mira, aponta a construção de estradas, barragens e o alargamento dos perímetros urbanos como factores decisivos nesta contabilidade."
 
 
“Nesta altura Portugal necessita criar mais riqueza interna. Estes terrenos comunitários [baldios] podem fazê-lo, sendo criadas condições para criar mais e melhor floresta”

Agricultura Urbana- Casos de Estudo no Porto

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A "celebridade" deste pequeno produtor da Área Metropolitana do Porto surgiu após a divulgação da curta-metragem "O Último Agricultor da Foz", testemunho de uma das últimas pessoas do centro da cidade a fazer da agricultura o seu modo de vida  (ver este artigo sobre o mesmo Sr. Almeida que saiu no primeiro número da TimeOut Porto) e lembrou-me daquilo que se ouve dos mais velhos sempre que nos aproximamos dos limites do núcleo da cidade: "Isto aqui quando eu era novo era tudo quintas".

Por outro lado parece ter sido ultrapassado o ponto mínimo no número de agricultores (formais e informais) devido a um tímido mas crescente interesse na agricultura urbana na cidade, ainda que sobreviva o ímpeto de construir mais (como no caso do Vale do Coronado, que corre o risco de se transformar numa plataforma logística, entretanto adiada).


Pelo menos nos últimos anos surgiram dois projectos profissionais interessantes em Vila Nova de Gaia: o Cantinho das Aromáticas, (provavelmente conhecido de todos) que tem no Luís Alves não só um coordenador inovador como também um excelente divulgador ao público de boas práticas ambientais e agrícolas (vejam o excelente canal do youtube do Cantinho), vendendo sobretudo limonete seco para exportação, bem como uma excelente linha de tisanas; e a Raízes.org, que faz produção de hortícolas e distribuição de produtos biológicos na área metropolitana. Ambos colaboram para organizar a Festa da Primavera, na Quinta do Paço.

Apontadores [V]: Portugal, dependência agrícola e soberania

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Sector Agrícola Português perdeu meio milhão de hectares em 10 anos

"A agricultura portuguesa conheceu, nos últimos dez anos, um claro processo de ajustamento estrutural, com a área média das explorações a aumentar 2,5 hectares, o que potencialmente as torna mais competitivas. Mas, no mesmo período de tempo, o território dedicado à prática agrícola recuou em quase meio milhão de hectares, o que não deixa de ser preocupante, dada a forte dependência externa de Portugal em produtos alimentares."

Verdes alertam para "grave dependência" nacional a nível alimentar

"A deputada ecologista alertou hoje para a “grave dependência” nacional a nível alimentar, que implica um custo anual de quatro mil milhões de euros, defendendo a obrigatoriedade de as grandes superfícies comerciais venderem produtos nacionais. Mas o Parlamento, com os votos contra do PS, chumbou a proposta."

Sector dos cereais com quebra de 40% no valor da produção em Portugal


"A campanha cerealífera de 2009 é para esquecer. O volume de produção caiu cerca de 23 por cento face ao ano anterior, mas o valor final do produto colhido apresenta um recuo ainda mais significativo - a rondar os 40 por cento - fruto de uma quebra de 21,4 por cento no preço."

"Reserva Alimentar deve ser prioridade política"


"Portugal deve dar prioridade política à constituição de uma reserva alimentar, defendeu hoje o presidente da AICEP, Basílio Horta, alertando para o aumento dos preços a nível internacional e para a elevada dependência face ao exterior."

Portugal cada vez mais dependente do exterior para comer


"Andámos anos a fio a desincentivar o investimento na agricultura em geral e nos cereais em particular, porque dominava a ideia de que podíamos comprar tudo ao exterior. É verdade, assim como também o é o desequilíbrio na balança comercial dos produtos agrícolas, que ronda os €3000 milhões anuais", sublinha António Serrano, ministro da Agricultura."

Portugal é muito vulnerável à oscilação de preços dos alimentos


"A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) revelou na quarta-feira que o índice de preços dos alimentos aumentou, pela sexta vez consecutiva, em Dezembro. “Se somos muito dependentes, somos muito vulneráveis a qualquer aumento de preços que haja ao nível do mercado internacional”.

Portugal vai ter de pagar mais para garantir alimentação 

"Temos de importar mais de 60 por cento da carne que consumimos, deixámos de ter produção de açúcar e só há pouco tempo começámos a plantar olival. E temos de importar praticamente tudo o que consumimos em matéria de cereais, até mesmo para alimentar o gado nacional. Nos últimos dez anos, o défice da nossa balança comercial alimentar disparou 23,7 por cento."

O que mais exportamos? 

"Tomate, batata, cenoura e couves são os produtos hortícolas mais exportados por Portugal, mas o país continua a ser "altamente deficitário no sector horto-frutícola". O caminho para combater o desequilíbrio entre exportação e importação é o Estado português "aumentar a produção em áreas agrícolas abandonadas" e "criar produtos com valor acrescentado".