Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens

Apontamentos [II]

0 comentários
Ando a ler o novo Recenseamento Agrícola e mais não digo para não entrar em assuntos deprimentes, para não dizer catastróficos. Algumas curiosidades mais neutras, tiradas daqui:

-Em Castro Verde as explorações agrícolas têm em média 156 hectares mas na Pampilhosa da Serra não vão além de 1 hectare;

-Na Maia praticamente toda a SAU é irrigável (97%) enquanto que em Barrancos quase não existe regadio
(0,1%);

-Em Caminha ¾ dos produtores agrícolas são mulheres e em Porto Santo estas não ultrapassam os 4%;

-Em São Brás de Alportel os produtores têm em média 70 anos e em Santa Cruz das Flores são 20 anos mais novos (Açores tem os agricultores mais novos do país);

-Montemor-o-Novo apresenta a maior percentagem de produtores com habilitações ao nível do ensino
superior;

-Odemira tem a maior percentagem de explorações agrícolas que se dedicam a actividades ligadas ao turismo no espaço rural;

-Moura tem o maior número de explorações com aproveitamento de energias renováveis;

-Em Vila do Conde existem mais de 2 tractores por exploração enquanto que na Madeira existe apenas um
tractor em cada 60 explorações;

-Em Chaves uma em cada 5 explorações tem efectivo asinino;

-Ponta Delgada e Barcelos têm o maior efectivo de vacas leiteiras.

- A agricultura biológica é 3% da áreas agrícolas (abaixo do nível de consumo que é de 5%), para uma média europeia de 4%. Isto está a milhas dos 20% da Itália e Espanha,e se somarmos os produtores tradicionais/DOP aos italianos são mais de 50% (!)

Are you local?

0 comentários


Modelos como as CSAs estão em crescimento em alguns países, com a emergência de correntes díspares: procura de variedades e produtos menos comuns; preocupação com gastos energéticos com transportes; inclusão económica de pequenos produtores, etc.
Colectivamente estas considerações têm vindo a assumir a designação de "locavorismo", embora as prioridades ainda sejam pouco consensuais.

Sendo de certa forma relativa a questão da energia (maior parte da energia gasta nos alimentos é gasta em casa, assim como a maioria dos desperdícios) e bastante circunscrita a questão gastronómica (mais próximo nem sempre quer dizer melhor) acho bastante pertinente a vertente socio-económica e também ambiental, uma vez que transporte e refrigeração ainda têm algum peso nas emissões mas sobretudo se se tiverem em conta produtos e modos de produção de baixo impacto e/ou de suporte à paisagem e biodiversidade.

Nada impossibilita que os hipers apoiem este tipo de produção, inclusivamente comprando a CSAs locais (como a Whole Foods) mas o problema passa a ser um de escala, o que suscitou duas reacções bastante interessantes em dois casos nos EUA e em Portugal que permitem ultrapassar esta questão:

A mega-cadeia de retalho Wal-Mart anunciou que vai reduzir a sua cadeia de abastecimento, passando a fornecer-se da produção agrícola local:
http://www.nytimes.com/2010/10/15/business/15walmart.html

A Jerónimo Martins vai criar uma marca de comércio de rua, que nada impede que tenha também uma cadeia de abastecimento mais reduzida e que apoie oferta dos centros urbanos:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=465617

Estes dois exemplos não excluem a possibilidade de coordenação com um modelo cooperativo organizado (não sendo necessariamente uma CSA), com vantagens para produtores e consumidores, para além da comercialização directa- em São Miguel uma cooperativa de produtores de carne tem o seu próprio talho e restaurante (bastante famosos) e em Barcelona cooperativas de produtores de hortícolas têm "marcas" e bancas próprias.
Muitos mercados têm mercearias e outras lojas, que lhes dão uma abrangência de necessidades capazes de competir com hipers, se se somar também a sua localização tendencialmente central nas cidades, vantagem que se transformou hoje em desvantagem, situação que ainda pode ser revertida.
Basicamente, existem aqui pontes para conciliar os interesses de todos, se houver uma convergência de alterações:

- Se os consumidores valorizarem mais a produção nacional e local, reconhecerem valor nalguns produtos tradicionais e alimentação "na época", e frequentarem mais os mercados ou comércio de rua- tendência tímida mas crescente

- Se os hipermercados verem vantagens comerciais (logística, ambiente, "premium" social) em reduzirem a sua cadeia de abastecimento e/ou tipologias de loja, como evidenciado por estes exemplos

- Se produtores agrícolas forem capazes de apostar em formas de organização da sua produção que lhes permita concorrer ao nível do comércio local, seja em grandes superfícies e/ou com marcas próprias em mercados e lojas cooperativas e contribuir para o aumento do seu poder negocial e remuneração.

São indícios positivos de outras formas de comprar de forma social e ambientalmente responsável, mais equilibradas do a actual situação que se polariza entre a situação difícil de obter conhecimento de vários produtores deslocalizados e longe dos grandes centros de consumo e a massificação deslocalizada de produtos e abastecedores que exclui ou é apenas limiarmente compensatória para muitos produtores.

Hortas Comunitárias em Portugal [III] : Horta à Porta

0 comentários
Imagens da CM de Matosinhos
















Ano de criação / Génese:
AM do Porto (excepto VN Gaia), 2003, Lipor - Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto, aproveitando pequenos lotes cedidos pelas autarquias abrangidas

Área / Nº de participantes:
13 hortas, 400 talhões, 3,5 hA, ocupação 100%, chegou a atingir 1400 inscritos em lista de espera

Objectivos:

Formação em Compostagem doméstica (obrigatória), processamento de resíduos, boas práticas ambientais em horticultura e cozinha

Sítio da Internet:

Sítio Oficial

Notas: 

Um projecto pioneiro e exemplar em Portugal, sendo provavelmente a maior influência da expansão destes equipamentos no país, criação de um espaço formativo nas áreas da cozinha, ambiente e agricultura com pequenos módulos diários e a preço acessível nas instalações da Lipor. Acções centradas em torno da compostagem e redução de resíduos domésticos .

Truísmos [II]

0 comentários
"Os problemas de Portugal são essencialmente agrícolas: excesso de nabos e falta de tomates." 

A.S. no Viragem