... a ver um dos melhores sites que já vi, que não acredito que só descobri agora.
Impossível escolher uma ou duas imagens porque absolutamente todas as galerias são geniais, é importante reservar algum tempo para ver com atenção!
WWOOF em Portugal: algumas dicas
![]() |
| Missão cumprida - um dos rebanhos preso para sanitização das patas |
Depois das minhas (ainda escassas) experiências pediram-me alguns conselhos sobre o WWOOFing.
É importante ter a noção de que o WWOOF é no fundo uma forma de turismo fora do convencional cujo "financiamento" é pago com trabalho voluntário directamente (diferente em natureza, intensidade e responsabilidades) em vez do dinheiro ganho com o trabalho formal no resto do ano.
Algumas perguntas úteis para decidir se se deve ir e para onde ir-O objectivo é fazer wwoof em Portugal ou no estrangeiro? (existem vários sites para cada país)
-Se for em Portugal, alguma zona ou tipo de paisagem específica? (muitas diferenças de trabalho)
-O objectivo principal é aprender algum tipo de actividade, conviver ou visitar uma região?
-Que tipo de trabalhos não são aceitáveis e quais são desejáveis?
-Que carga horária é aceitável? (maioria dos anfitriões pede 4-6 horas diárias, 5-6 dias por semana)
-Querem trabalhar com animais ou querem evitá-lo?
-Que carga horária é aceitável? (maioria dos anfitriões pede 4-6 horas diárias, 5-6 dias por semana)
-Querem trabalhar com animais ou querem evitá-lo?
-Que tipo de alimentação e alojamento preferem? (é fácil encontrar locais vegetarianos)
-É preferível uma quinta com só mais 2-3 pessoas ou uma com mais 15 pessoas? (muito diferente)
Sinais de um bom anfitrião:
- Tem um perfil com muita informação, fotos e localização (só visível após pagamento de inscrição no site)
-É preferível uma quinta com só mais 2-3 pessoas ou uma com mais 15 pessoas? (muito diferente)
Sinais de um bom anfitrião:
- Tem um perfil com muita informação, fotos e localização (só visível após pagamento de inscrição no site)
- Se recebe voluntários há algum tempo tem boas referências
- Responde aos emails e telefona em alguns casos para saber se a pessoa é de facto compatível
- Insiste em saber horas, condições e que tipo de voluntário vai receber e quer recebê-lo bem
- Adapta o voluntário ás necessidades da quinta mas também aos seus interesses e aptidões
- Não trata os wwoofers como mão-de-obra barata, toma as refeições com eles e está disponível para partilhar conhecimentos
Sinais de um bom wwoofer:
- Tem um perfil com foto e informação relevante sobre si e o que pretende com o wwoofing
- Lê cuidadosamente o perfil do anfitrião e faz um pedido específico para este, nunca envia copy/pastes
- Faz só um pedido de anfitrião para cada data, aguarda resposta deste e só manda pedido a outro depois de passar um tempo razoável sem resposta ou depois de resposta negativa
- Aparece na hora, local e data marcada
- Cumpre os horários de levantar, comer e trabalhar e adapta-se a situações diferentes
- Dá-se bem com pessoas (muito) diferentes e respeita os hábitos e modo de vida do anfitrião
Tipos de quintas mais habituais (ter noção que 3 em cada 4 são de estrangeiros):
- O projecto de permacultura/eco (quase sempre muito recente), feito "sem pressas" por pessoas mais ou menos inexperientes. Bom para convívio e turismo, mau para aprender algumas aptidões (como maneio animal) mas bom para partilhar o que é quase sempre uma experiência de vida nova também para os anfitriões. Ás vezes com bastante (demasiada) gente.
- A Quinta de reformados com muito tempo e dinheiro nas mãos, mais perto de um jardim enorme do que uma quinta. Excelente para relaxar, comer bem e trabalhar pouco e convívio mais light, mau para fazer trabalho mais significativo do que somente jardinagem e ter uma experiência mais próxima do espírito da coisa.
- A quinta-empresa, excelente para aprender aptidões e saber trabalhar no quotidiano de uma quinta "a sério", boa para trabalhar, mais difícil para conviver com pessoas ou usar o tempo livre.
- A "armadilha", que são quintas que usam o wwoof para ter trabalho escravo e misteriosamente não são expulsas da rede (existem 3-4 assim ao todo). Felizmente raras e ausentes da minha experiência.
- Todo o resto - se calhar a categoria mais interessante mas mais rara, com pessoas muito diversas e ás vezes uma mistura das melhores qualidades e/ou experiências mais extremas.
- Responde aos emails e telefona em alguns casos para saber se a pessoa é de facto compatível
- Insiste em saber horas, condições e que tipo de voluntário vai receber e quer recebê-lo bem
- Adapta o voluntário ás necessidades da quinta mas também aos seus interesses e aptidões
- Não trata os wwoofers como mão-de-obra barata, toma as refeições com eles e está disponível para partilhar conhecimentos
Sinais de um bom wwoofer:
- Tem um perfil com foto e informação relevante sobre si e o que pretende com o wwoofing
- Lê cuidadosamente o perfil do anfitrião e faz um pedido específico para este, nunca envia copy/pastes
- Faz só um pedido de anfitrião para cada data, aguarda resposta deste e só manda pedido a outro depois de passar um tempo razoável sem resposta ou depois de resposta negativa
- Aparece na hora, local e data marcada
- Cumpre os horários de levantar, comer e trabalhar e adapta-se a situações diferentes
- Dá-se bem com pessoas (muito) diferentes e respeita os hábitos e modo de vida do anfitrião
Tipos de quintas mais habituais (ter noção que 3 em cada 4 são de estrangeiros):
- O projecto de permacultura/eco (quase sempre muito recente), feito "sem pressas" por pessoas mais ou menos inexperientes. Bom para convívio e turismo, mau para aprender algumas aptidões (como maneio animal) mas bom para partilhar o que é quase sempre uma experiência de vida nova também para os anfitriões. Ás vezes com bastante (demasiada) gente.
- A Quinta de reformados com muito tempo e dinheiro nas mãos, mais perto de um jardim enorme do que uma quinta. Excelente para relaxar, comer bem e trabalhar pouco e convívio mais light, mau para fazer trabalho mais significativo do que somente jardinagem e ter uma experiência mais próxima do espírito da coisa.
- A quinta-empresa, excelente para aprender aptidões e saber trabalhar no quotidiano de uma quinta "a sério", boa para trabalhar, mais difícil para conviver com pessoas ou usar o tempo livre.
- A "armadilha", que são quintas que usam o wwoof para ter trabalho escravo e misteriosamente não são expulsas da rede (existem 3-4 assim ao todo). Felizmente raras e ausentes da minha experiência.
- Todo o resto - se calhar a categoria mais interessante mas mais rara, com pessoas muito diversas e ás vezes uma mistura das melhores qualidades e/ou experiências mais extremas.
Apontadores [XVIII]: O mesmo tecto
![]() |
| O Falanstério de Fourier |
Muitos recursos são fáceis de partilhar e evitam a duplicação de despesas, desde o sinal de internet até ao meio de transporte. Em muitos países europeus em que ter casa própria ou fixa é raro, partilhar o prédio/casa/quarteirão é quase a norma durante grande parte do percurso de vida, inclusive após constituir família. Vou fazer uma proposta sobre este tema no âmbito do Orçamento Participativo de Guimarães.
Crónicas de uma Desempregada: Viver em comunidade
Um desabafo raro de ler em português, uma mãe solteira e desempregada percebe as vantagens de dividir despesas partilhando um espaço entre um reduzido número de famílias, que podiam inclusivamente revesar-se no acompanhamento das crianças.
Dividir casa é uma resposta à crise mas também de uma opção de vida
O título poderia estar ao contrário - como é claro no artigo o facto de existirem menos adultos fora de um núcleo convencional e dadas as características do parque habitacional do país torna vantajoso estar acompanhados de outras pessoas na mesma situação, fazendo face aos baixos rendimentos.
Dividir casa é uma resposta à crise mas também de uma opção de vida
O título poderia estar ao contrário - como é claro no artigo o facto de existirem menos adultos fora de um núcleo convencional e dadas as características do parque habitacional do país torna vantajoso estar acompanhados de outras pessoas na mesma situação, fazendo face aos baixos rendimentos.
The Babayagas’ house, a feminist alternative to old people’s homes, opens in ParisA idade média da Europa ultrapassa os 40 anos e os solteiros já são mais numerosos que os adultos que habitam com o núcleo familiar em vários países, o que torna emergente algumas tipologias de co-habitação em reacção aos "depósitos" de idosos como esta comuna feminina.
Viver ou não viver num"kibutz"
Os kibbutz são das mais conhecidas experiências de cohabitação em grande escala, reforçadas mais pelas características agregadoras de uma religião e de um cotnexto político instável do que pelas virtudes inerentes e imediatos à partilha de recursos. Apesar disso, subsistem.
Come together: Could communal living be the solution to our housing crisis?Um artigo com uma excelente recolha de várias tipologias de co-habitação que se estão a tornar "mainstream" no R.U., desde quintas até condomínios fechados de luxo até pequenos prédios convertidos com suites e zonas comuns.
Färdknäppen – a different kind of house
Na Suécia, o modelo mais comum nos países nórdicos (a opção de mais de 10% da população da Dinamarca), com prédios para solteiros com mais de 40 anos - uma tipologia de bloco de habitação com jardim em que os espaços privados são com quartos com escritório e casa-de-banho e que partilham um ou dois pisos com cozinha, jardim e sala.
11.3.13
Waldenomania [X] : Escapar do escapismo
Walden Woods video game will recreate the world of Thoreau
While the player travels through the virtual world of Walden, and deals with everyday life at Walden Pond, they will also be asked, the team said, to "focus on the deeper meaning behind events that transpire in the world. By attending to these events, the player is able to gain insight into the natural world, and into connections that permeate the experience of life at Walden."
Walden: A Game
In this virtual world players will experience living simply and wisely, as a part of nature and not apart from it.
18.1.13
Ratinho por uns tempos [III]
Toda a frugalidade do modo de vida na quinta dos Märkl contrasta com a comida que comem, central a tudo o que rege a vida quotidiana. O objectivo fundamental é a auto-subsistência total, que atingem nos produtos vegetais e animais através da produção própria, complementada pela troca (por exemplo do sal grosso ou do azeite, uma vez por ano). A actividade da queijaria paga tudo aquilo em que não se pode evitar o vil metal.
Regem-se também por algumas regras simples que estão implícitas à paixão e orgulho que têm pela sua autarcia, apesar de todas as suas contradições: os ingredientes são sempre o que está mais fresco e em maior quantidade (só comem na época); atacam as conservas entre Outubro e Março (não cheguei a provar ou a ver mais do que as sobreviventes do ano anterior); matam e comem um animal que é "esticado" por várias refeições (quase uma semana um borrego, 3 dias um frango); metade das refeições são (ovo-lacto) vegetarianas.
É possível que seja do apetite do trabalho intenso mas foram inquestionavelmente algumas das semanas em que melhor comi na minha vida e em que felizmente recuperei algum peso dos quase 8 kg que perdi por motivos de saúde nos dois meses anteriores, quando receava que a minha estadia como voluntário poderia agravar esse problema.
A rotina alimentar do Verão:
- O pão é feito no forno a cada 2 dias, uma mão de massa é embrulhada num pano e enfiada na gaveta para fermentar e juntar à massa seguinte. O pão é sempre diferente e sempre excelente porque o hiperactivo M. aborrece-se e põe lá azeitonas, figos, oregãos, presunto e o que mais lhe apetecer. Faz-se ao fim da tarde, fermenta até ao jantar, vai para o fogo a seguir à refeição, de manhã ainda está quente.
- Os sub-produtos da produção de queijo como o soro vão para fazer manteiga fresca (de longe a melhor e mais leve manteiga que já provei, branquíssima) ou requeijão, a moeda de troca principal com os vizinhos e que vai sempre temperado com ervas frescas e limão. As duas formas de aproveitamento do soro são feitas todos os dias, alternadamente e por vezes já depois da meia-noite. O requeijão fresco é de longe melhor que o seu queijo curado na minha opinião mas a sua comercialização formal é-lhes interdita por causa das exigências sanitárias. Em vez disso é moeda de troca com vizinhos, por tabaco por exemplo.
- O sumo de eleição é um concentrado de uva que procurei convencê-los a vender também com o queijo mas não acreditaram que fosse assim tão bom. Não conheço qualquer mistela de pacote que lhe faça frente e eles não fazem ideia da pouca concorrência que têm por isso desconsideram o que fazem. Pediram-me para deixar de beber uma garrafa por dia (que tinham oferecido mas que não pensavam de que viesse a gostar tanto) porque também a usam para troca.
- Todos dias ao final da tarde vai-se espreitar a horta e recolhe-se o que está demasiado grande, caído, estragado ou em excesso para a alimentação da noite dos animais e uma porção de cada tipo de vegetal (leguminosa, couve, raíz, fruta) para o jantar e almoço do dia seguinte. Ao jantar coze-se ou assa-se, no almoço do dia seguinte salteia-se.
- Fora uma vez ou outra no Inverno nunca fazem sopa, que consideram uma incompreensível obsessão portuguesa. Como português foi a única coisa de que senti falta, e com um pão com queijo é uma refeição em si mesma, fácil e rápida de fazer e que aproveita absolutamente tudo, desde a água a restos de legumes e carne. "Comida de bébé", dizem os anfitriões.
10.1.13
Como mover penedos
![]() |
| Cachenas a pastar junto ao rio Vez |
Fui há tempos fazer um percurso de 3 dias à Peneda. Num café numa das etapas a curiosidade mútua levou a que me perguntassem o que estava lá a fazer sozinho e a que eu depois perguntasse sobre o uso que se ainda dava às Brandas porque muitas estavam visivelmente ocupadas. Acontece que lá vão vivendo com os apoios ao gado Barrosão, Cachena e Churra mas é quase tudo para auto-consumo oficial ou não-oficial (ou seja, redução de efectivo para "auto-consumo" dos restaurantes locais).
A conversa lá vai inevitavelmente para os velhotes isolados - a aldeia seguinte, com 53 pessoas, está a duas fatalidades masculinas de ser uma comunidade matriarcal porque os homens inevitavelmente se gastam mais rápido e vão indo à frente.
Um dos homens do café, como o Clark Kent a abrir a camisa, de repente diz - "olhe, eu sou o Presidente da Junta daqui". Depois explica, com o café só com a senhora a lavar as chávenas (que é de outra freguesia), que daqui a 20 anos a freguesia em que estamos quase não existe - todos (todas?) passaram já o limite estatístico da esperança média de vida.
A mania de maçarico ingénuo que quer ter um projecto agrícola causa depois a habitual sequência de surpresa, cepticismo e troça mas conclui o sr. presidente - com razão- que não há um movimento desse tipo com escala suficiente para ocupar aquele território da mesma forma ou com a mesma intensidade de outrora, nem mesmo com a ajuda do turismo. Fica assim implícito um retorno de grande parte daquela paisagem a uma colonização florestal mais ou menos espontânea que não existe nalguns locais há séculos ou mesmo milénios.
A única esperança daquele sítio, continua, era de que os filhos emigrados das pessoas que lá estão, agora perto da idade de reforma, se aposentassem naquele local. Vendo as famílias luso-francesas que passaram naquele café pouco tempo antes, com netos/bisnetos loirinhos que já só falam a língua materna, custa-me muito a acreditar que alguma vez ficassem nas montanhas longe dos filhos e de um estilo de vida que lhes custou muito a atingir.
Ao ir embora dias depois ia vendo a cena recorrente desta região (na imagem acima), em que os solos profundos junto aos rios, outrora reservados nessa altura para culturas mais exigentes e valiosas, são transformados em pastos durante o ano todo porque, fora o vinho verde, já é a única produção compensatória que resta. Como não posso competir com este "arrendamento verbal" para gado que é renovado ano a ano, com a minha necessidade de ter papéis para concessão a 10-15 anos para culturas perenes parece que é cada vez mais esta a direcção da zona até que se mudem as atitudes e se apostem nas culturas agro-florestais aptas aos solos férteis e clima desta região e em atrair outras pessoas para além dos retornados francófonos.
18.12.12
Subscrever:
Mensagens (Atom)













.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)


