Apontadores [XXIII] : Uma árvore para cada um

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Nove camadas de uma Agro-floresta
A base de uma organização de pomar de espécies complementares e de valor alimentar que poderão servir de base a intervenções de baixa manutenção e de valor ornamental no domínio público

Portland Fruit Tree Project
É uma ONG cuja missão é recolher dados das árvores de fruto disponíveis na sua área geográfica, tanto públicas como de privados, e coordenar colheitas e distribuição para famílias de baixos rendimentos

Fallen Fruit e City Fruit e Neighbourhood Fruit
Mais dois programas similares que promovem a apanha de fruta pública como actividade lúdica

Seattle planta primeira "floresta comestível" pública do país
Com a possibilidade de crir um parque de cerca de 3ha a Câmara decidiu usar somente espécies com valor alimentar, permitindo e orientando a sua colheita livre

Floresta de 56 ha vai materializar-se no centro de Detroit
Uma cidade que perdeu 60% da população em 15 anos converte áreas hoje totalmente vazias numa grande "floresta aos retalhos", incluindo zonas com pomares e que integram projectos agrícolas de residentes

Respigadores urbanos apanham o fruto proibido
Aproveitamento das fruteiras urbanas dentro da legalidade mas numa modalidade quase desportiva

Vizinho, ofereces uma ameixa?
A popularidade dos respigadores de fruto até origina alguns negócios originais

A tua cidade é um pomar público
Um guia bonito para identificar e mapear as espécies comestíveis em domínio público

O que é um pomar comunitário?
Um testemunho sobre as várias tipologias e modos de implementação que existem, por enquanto raros em Portugal

Pomares Comunitários nos Ginetes fornecem as escolas
Em Portugal existem muitas árvores de fruto públicas e alguns pequenos pomares (como nas hortas de Guimarães) mas é interessante e original que as responsabilidades das Câmaras na alimentação do ensino básico sejam colmatadas com fruta local e pública

Armas de Alimentação Maciça

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A nova Lei Europeia das Sementes, actualmente em discussão no Parlamento Europeu e já na 3º versão, propunha inicialmente uma legislação draconiana que fundamentalmente ilegalizava toda a preservação e troca de sementes de variedades não-comerciais, na quais se inclui grande parte do património genético agrícola.

A excepção seriam os casos em que estas variedades fossem adquiridas por empresas comerciais de sementes (que iam reter direitos de autor sobre estas variedades) ou em que a ONG de preservação observassem um conjunto de regras que determina que ou se mantêem para sempre como micro-grupos sem capacidade de "fazer mossa" na agro-indústria ou que crescessem e assumissem um escala e estrutura interna semelhante aos grandes produtores de sementes, acompanhada das taxas correspondentes.
Entretanto, sob uma chuva de protestos, estas condições foram diluídas e enterradas sob jargão legal e regimes excepcionais, não sendo ainda compatível com aquilo que é próprio da civilização.
A UE demite-se assim do papel que poderia ter na preservação de uma das suas maiores riquezas e na defesa do direito universal à alimentação, providenciada por variedades adaptadas regionalmente.

Isto significaria um precedente escandaloso: uma actividade fundamental da Humanidade há milénios como é recolher, preservar e trocar semente (em tempos usada como moeda) e o sustentáculo base da civilização como é a agricultura de subsistência seria alvo de propriedade exclusiva, uma patenteação da vida que a um nível mais absurdo seria como definir a propriedade da chuva em determinada área.
E assim de repente o que era impensável torna-se questionável face à voracidade do elevado potencial de rentabilização do que é essencial, luta que a habitação e energia já perderam há muito e em que a saúde e educação sofrem derrotas constantes.

É por isso que se corre o risco de daqui a alguns anos uma espécie de terrorista ser aquele que produz a própria alimentação; que recolhe a própria água e energia; que constrói a própria habitação sem recorrer a crédito; e finalmente, que recolhe e partilha a própria semente.
Satisfazer as nossas necessidades fundamentais fora da esfera do consumismo torna-se cada vez mais um acto de subversão política quando deveria ser um direito fundamental associado à sobrevivência básica.

Entretanto, sou sócio e futuro guardião desses "perigosos clandestinos" da Colher para Semear, repositório nacional e voluntário de uma riqueza patrimonial comparável ou superior aos Louvres deste mundo - a vida das sementes é a nossa vida. Encomendem e plantem. Resistam.


Uma semana em Outubro

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Foto do João Sarmento


Com mais novidades do que tempo para as relatar, é ainda estranho acreditar na sucessão de coisas que têm acontecido e que por algum motivo parecem encaixar-se umas nas outras sem nenhuma outra exigência da minha parte do que ter os olhos abertos e estar receptivo ao que aparece, por inesperado que seja.

No passado sábado, dia 5, abri a quinta pela primeira vez a visitantes e amigos, algo que vou repetir em princípio no último Domingo de cada mês (o próximo é no dia 27 de Outubro).
Abro o portão de manhã e existem algumas tarefas a realizar, com vários graus de simplicidade e culmina numa refeição que partilho com quem visitar, mais aquilo que se quiser trazer e partilhar.

Tivemos a sorte de ouvir dois concertos na Eira a fechar o dia (acima), espero que não seja a última vez que acontecem porque não deve existir nada melhor do que centrar um dia em torno do trabalho em conjunto, da comida e da música.

No passado fim-de-semana fizemos também uma primeira experiência para o que um dia pode vir a ser o 1º Mercado Biológico de Guimarães, e muitos contactos de uma inesperada actividade no concelho de pessoas que partilham os mesmos princípios. Cuidadosamente construída, podemos vir a criar localmente uma rede de produtores e clientes daquilo que sei que é o futuro.

Apareçam!


Ohrwurm [X] : Azul para Cinzento

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Waldenomania [XIV] : Went to Get Wood

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"Went to Get Wood" (2009) Ethan Hayes-Chute

Adeus Verão cheio de aprendizagens, Olá Outono da primeira sementeira

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Wanderlust [I] : Peneda

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77 kM, 60 horas









21 de Junho

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Apontadores [XXII] : Listas

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Algumas curiosidades respigadas

Ten most Important Crops in the World

Eight Foods You Should Stock Up On Before Climate Change Takes Them Away

Twenty Fruits You Probably Don’t Know

Seis frutos e legumes que são a aposta da agricultura portuguesa para o futuro

Twelve Most Toxic Fruits and Vegetables

Doze citrinos de que nunca ouviu falar

Six Most Horrifying Lies The Food Industry is Feeding You


Fifty Things I’ve Learned from Tiny Farming

52 Wild Plants You Can Eat


5 Irmãos criaram a União, quando partilharam a água decidiram ficar

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Através do Pedro Rocha cheguei ao documentário completo do pioneiro do documentário António Campos, sobre a vida comunitária de Vilarinho das Furnas antes da sua submersão. Um trabalho que mostra um universo agora já na sua última geração, que é disponibilizado no Youtube pela UBI Filmes.

Já tinha referido este documentário e o Almadraba Atuneira neste post anterior.

Gente sem aldeia, aldeia sem gente

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A Branda da Aveleira, convertida para turismo rural (totalmente vazia no dia da foto)




Há anos atrás, um anúncio num forum chamava interessados a participarem num encontro para a possibilidade de criação de uma "eco-aldeia" ao qual também fui por curiosidade, juntamente com um pequeno e heterogéneo grupo de completos estranhos. Consegui parte do que pretendia, que era conhecer pessoas com outras aptidões, mas não o meu segundo objectivo que era o de encontrar um espaço, porque pensava que a partilha podia torná-lo mais acessível. Mas infelizmente era uma reunião de desterrados.

O objectivo do grupo era o mesmo que atravessa um tipologia de comunidades intencionais que vai desde os falanstérios que se quiseram implementar no Novo Mundo, até às diversas formas de comunas dos anos 60 e que hoje evolui para formas mais ou menos tecnotópicas, menos políticas e por isso se calhar com um interesse mais alargado e por isso mais mediático. Rapidamente neste encontro se viu o choque entre as diferentes concepções do que seria a comunidade e também entre visões incrivelmente detalhadas ou incrivelmente genéricas, em diferentes graus de ingenuidade.

Tornada evidente a falta de acordo emergiu um único factor do qual não estava à espera: quase todos pretendiam um local isolado, preferencialmente totalmente desabitado.
Como fui apanhado de surpresa perguntei qual o motivo - se era por razões políticas, legais (brincadeira), por repouso ou associação a uma área de protecção especial ou outro factor. Pareceu-me pelas respostas difusas que o motivo era simples: queriam só um sítio onde começar do zero. Porquê não disseram mas penso que seria porque algum tipo de passado ou identificação com o existente seria interpretado com uma contaminação do que idealizavam, um incómodo para a tabula rasa que queriam fazer da sua vida.

Perto do final do encontro manifestei a minha opinião: porque é que anda tanta gente com boas intenções e alguma capacidade à procura do esforço enorme que é criar uma comunidade do zero quando existem tantas comunidades com excelentes condições à procura de pessoas?
Porque é que as aldeias que temos a definhar junto a vias de comunicação, com alguns equipamentos comunitários a funcionar, pessoas dispostas a ensinar e que funcionam com baixos recursos e produtos locais não são "eco-aldeias"?
Porque é que em vez de arrancar logo com 50 transplantados que se desconhecem para um ermo porque não gradualmente ocuparem algumas aldeias específicas e integrarem plenamente essas comunidades mais estáveis?

Passados alguns anos não acredito na regeneração total das nossas comunidades rurais, nem sei se será desejável (fica para outro texto o porquê) nem na viabilidade da localização remota (a não ser para turismo).
Mas não acho que sejam possíveis "tábuas rasas" ou isolamentos, por mais apelativos que pareçam.


Waldenomania [XIII] : Em versão mini no Alto Minho

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TV Rural [XXI]: Mais inspiração

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The Whole Pie. from Plus M Productions on Vimeo.

(Obrigado Luís)

Ohrwurm [VIII]

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Denso ou intensivo?

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Ao procurar modelos para o tipo de produção agrícola que gostaria de praticar encontro muitos exemplos que confrontam o que valorizo ambientalmente com o que é compreensivelmente valorizado em termos de eficiência económica. As duas coisas não são necessariamente contraditórias, mas vejo que é sempre raro ou difícil atingir um equilíbrio entre elas.

Como estou responsável por uma pequena quinta que está, segundo o modelo de implementação habitual, no limiar ou abaixo da rentabilidade que o viabiliza, vejo-me impelido por profissionais da área a apostar em apenas num produto do modo mais intensivo e especializado possível, ocupando absolutamente toda a área disponível. Por outro lado gostaria de produzir intensivamente mas de uma forma que incluísse vários produtos que se complementam em termos de uso do solo, integrando melhor produção animal e vegetal por exemplo.

Não se trata apenas de pôr todos os ovos no mesmo cesto face ao risco de perder a produção toda por causa de uma semana chuvosa que coincida com a colheita por exemplo, mas de diversificar também o tipo de serviços e produtos que podem ser oferecidos. Com a variedade poderia diversificar também a clientela para além dos entrepostos e dirigindo-me ao mesmo tempo para o comércio local, algo que tenho vindo a ser absolutamente desaconselhado a fazer mas que sinto que posso experimentar gradualmente nesta fase inicial, especialmente estando dentro de uma área urbana, próxima de um mercado potencial.

A Sunny Creek (na foto) é uma produtora biológica australiana de frutos silvestres, castanha e maçã que produz na seca planície a norte de Melbourne com um sistema agro-florestal que integra os vários frutos, pensado para lidar com o clima e escassez de água, criando um oásis que é também economicamente próspero pela valorização que os seus clientes fazem deste modo de produção. Produzem com médias por hectare bem menores que os melhores casos de estudo tecnológicos destas culturas mas investiram também muito menos para obter o que têm - no fundo o saldo económico é semelhante mas o saldo ambiental e social é muito melhor. O que exigiu foi mais tempo e conhecimento, e uma relação mais elaborada e próxima com o cliente final.

Aqui não vejo muitas contradições, só inspiração.