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Puramente Sensato
Ao ver este episódio do Biosfera sobre a competitividade da agricultura portuguesa é tentador chegar à conclusão de que a Quinta do Romeu, em Trás-os-montes, tem o "segredo" para todo este problema:
- Apostou nas culturas que estão adaptadas à região, tanto pelas suas características físicas e climáticas como pela história no local e aproveitamento do "know-how" tradicional
- Distribui-se por três culturas (olival, montado e vinha), que se alternam durante o ano e tornam a exploração comercialmente mais resiliente e intensiva na sua ocupação do solo
- Abandonou por completo a lógica da produtividade pelo peso, apostando fortemente na produtividade por valor acrescentado, pela certificação biológica e pelo reconhecimento gastronómico
- Comercializa sem intermediários na distribuição, com venda directa através da criação de uma marca forte e facilmente reconhecível e promoção directa (com relação com o turismo e restaurante próprio)
Ou seja, não tenta competir com a produção "ao peso" ou com aquela que já tem balanço noutros países, apostando nas especificidades do que temos, depende de si mesma na medida do possível, criou uma marca diferenciada e pratica uma forma de agricultura diversificada e de grande valor ambiental. Todos estes elementos se "pagam" uns aos outros eventualmente.
A estratégia que funciona em Trás-os-Montes facilmente funcionaria nas frutas do litoral, no gado no Alentejo e Minho e no leite nos Açores.
É exactamente o modelo oposto do que temos vindo a financiar para todo o país.
8.3.11
Apontadores [III]: Ó que linda rama!
Quinta das Mogas: Os Podadores de Oliveiras
Um curto texto sobre uma experiência pessoal na poda de oliveira, com um curioso artigo de memorabilia: sabia que existia um cartão de podador mas não fazia ideia que havia um específico para os que fazem a toilette ás Oliveiras!
Xuxudidi: O Azeite
Um relato agridoce com o custo do sucesso da primeira colheita própria de azeite. Mas não vale o azeite produzido tradicionalmente mais do que o do supermercado? E não adquire um valor inestimável se sair da nossa terra, através das nossas mãos? Mesmo que tivesse custado 12€/l (preço comercial do litro do tipo "tradicional") invejava a experiência. Fotografia fantástica, como é habitual.
Quinta das Abelhas: A Day at the Olive Mill
Mais um blogger/agricultor em Portugal com a sua experiência de produção própria de azeite, que traz a experiência da espera junto à prensa mais uns desabafos sobre as percentagens de pagamento do lagar ("maquia").
Fruto da Notícia: Recordar outros tempos
Uma detalhada e interessante descrição do processo de produção tradicional de azeite, que não estará hoje assim tão diferente. O meio de processamento é um dos benefícios esquecidos deste óleo- gasta muito pouca energia, os desperdícios (bagaço) são uma boa biomassa/composto, não tem um processo de refinação química, etc. Não sabia que os pobres tinham direito à azeitona que estava caída, podendo respigar.
Jornal de Negócios: Corrida ao Ouro Verde
Uma extensa série de artigos de homenagem ao azeite enquanto símbolo cultural e também como investimento, ainda estou a ler mas já me apercebi de muita informação interessante: não sabia que o melhor azeite é o que está em cima num recipiente ou que a Espanha produz mais de 40% de todo o azeite do mundo, por exemplo.
Público: Grupo de Trabalho queixa-se de falta de dados mas olival intensivo pode não ser prejudicial
O estudo parece ser inconclusivo mas tende a favor do olival super-intensivo e tradicional sobre o intensivo. A questão do impacto ambiental do azeite é um tema que ainda ando a ler mas não me parece que exista grande comparação possível face a alternativas, em todos os aspectos
4.1.11
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