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TV Rural [XXI]: Mais inspiração

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The Whole Pie. from Plus M Productions on Vimeo.

(Obrigado Luís)

Denso ou intensivo?

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Ao procurar modelos para o tipo de produção agrícola que gostaria de praticar encontro muitos exemplos que confrontam o que valorizo ambientalmente com o que é compreensivelmente valorizado em termos de eficiência económica. As duas coisas não são necessariamente contraditórias, mas vejo que é sempre raro ou difícil atingir um equilíbrio entre elas.

Como estou responsável por uma pequena quinta que está, segundo o modelo de implementação habitual, no limiar ou abaixo da rentabilidade que o viabiliza, vejo-me impelido por profissionais da área a apostar em apenas num produto do modo mais intensivo e especializado possível, ocupando absolutamente toda a área disponível. Por outro lado gostaria de produzir intensivamente mas de uma forma que incluísse vários produtos que se complementam em termos de uso do solo, integrando melhor produção animal e vegetal por exemplo.

Não se trata apenas de pôr todos os ovos no mesmo cesto face ao risco de perder a produção toda por causa de uma semana chuvosa que coincida com a colheita por exemplo, mas de diversificar também o tipo de serviços e produtos que podem ser oferecidos. Com a variedade poderia diversificar também a clientela para além dos entrepostos e dirigindo-me ao mesmo tempo para o comércio local, algo que tenho vindo a ser absolutamente desaconselhado a fazer mas que sinto que posso experimentar gradualmente nesta fase inicial, especialmente estando dentro de uma área urbana, próxima de um mercado potencial.

A Sunny Creek (na foto) é uma produtora biológica australiana de frutos silvestres, castanha e maçã que produz na seca planície a norte de Melbourne com um sistema agro-florestal que integra os vários frutos, pensado para lidar com o clima e escassez de água, criando um oásis que é também economicamente próspero pela valorização que os seus clientes fazem deste modo de produção. Produzem com médias por hectare bem menores que os melhores casos de estudo tecnológicos destas culturas mas investiram também muito menos para obter o que têm - no fundo o saldo económico é semelhante mas o saldo ambiental e social é muito melhor. O que exigiu foi mais tempo e conhecimento, e uma relação mais elaborada e próxima com o cliente final.

Aqui não vejo muitas contradições, só inspiração.

TV Rural [XX] : Algumas Reportagens em Portugal

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"Os novos Agricultores"
Com o Pedro Rocha da Raízes, cujos produtos podem provar também na Casa da Horta (visitem-nos em Gaia e no Porto, tudo malta excelente!)

"A Agricultura em Portugal"
Um breve panorama geral da produção agrícola em Portugal, importante escutar a Maria António Figueiredo, que tem feito um excelente trabalho no OMAIAA

"O Mel em Portugal"
Mais um pequeno retrato da produção apícola no país, que irá nos próximos anos conhecer algum crescimento com a geração Proder, ver por exemplo as colmeias tradicionais feitas pela Timberbee

"Famílias Portuguesas Regressam ao Campo"
Mais uma reportagem leve com a intenção de focar mais o aspecto de mudança de rotina do que dar um retrato do chamado regresso ao "campo", que ainda é estatísticamente irrisório apesar do mediatismo

"De Sol a Sol"
Herdeiro do mítico TV Rural, um programa que foca tematicamente e com algum interesse um tema específico em cada episódio

"Celestino Santos deixou carreira como repórter fotográfico e tornou-se criador de galinhas"
Conheci o Tino, produtor de ovos biológico e dono da empresa Ganda Pinta, no meu último anfitrião WWOOF. Os ovos dele podem ser comprados no Mercado da Ribeira em Lisboa na loja do Freixo do Meio.

Um debate interessante sobre os mitos e realidades acerca das oportunidades e potencial da agricultura

12 Conselhos simples para a produção agrícola de pequena escala

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Fruto de alguns apontamentos feitos em formações relacionadas com este tema. Os pontos não estão por nenhuma ordem particular, embora uns tenham bem mais importância do que outros.

1. Variedade, consociação, rotação
É sempre essencial utilizar os ciclos naturais que servem como prevenção para quebras de produção por vários motivos, partindo sempre do ciclo regenerativo e de construção do solo fértil, a base de tudo.

2. Integração animal e vegetal
Numa produção artificial e deliberada de alimentos como é a agricultura é necessário usar a complementaridade natural de espécies vegetais e animais para o seu benefício mútuo.

3. Usar os comportamentos naturais das espécies
Respeitar a especificidade das necessidades de cada espécie na sua adaptação ás circunstâncias da exploração é o meio mais económico e fácil de evitar problema.

4. Toda a estação tem os seus frutos
Trabalhando com uma produção diversificada e distribuída em diversos picos durante o ano pode permitir maior resiliência face a quebras ou variações na produção e no ritmo de trabalho.

5. O que faço só poderia ser feito aqui
Especificidade e diferenciação são o mesmo, uma produção adaptada à região permite aproveitar os seus frutos específicos como elemento diferenciador, o que pode incluir produtos DOP/IGP/ETG.

6. Na quinta não existe lixo
A eliminação ou reaproveitamento total de todos os resíduos ou excessos é sinal de que existe uma coordenação e complementaridade correcta entre as diversas produções.

7. O excesso dos vizinhos é a minha sorte
Se a exploração não é capaz de criar este ciclo fechado de reciclagem de materiais orgânicos, é possível incluir produções vizinhas de forma a complementar o ciclo, como transformar refugo frutícola em ração.

8. Clientes têm a chave da casa
Numa produção diferenciada de pequena escala é importante partilhar os processos de produção com os clientes que reconhecem esse valor acrescentado, e promover a visita física ou virtual no marketing.

9. Não estou a competir com a Argentina ou com a Alemanha
Não faz sentido competir com mercados que produzem recorrendo a subsídios maciços ou exploração laboral e ambiental desregrada, mas sim fazer o contrário, procurando um nicho específico.

10. Comer na época é comer sempre fresco
Apostar na qualidade de ingredientes que não dependem da sua facilidade de armazenamento ou ainda na precocidade relativa de algumas culturas exportáveis para outros climas.

11. Aproveitar os residentes da minha terra
O segredo da produção diferenciada pode estar em conhecimentos da gastronomia e agricultura local, e a união de produtores faz a força, podendo reduzir custos de comercialização e processamento.

12. Só se tinha tantos porcos quantos as árvores permitissem
Existem variadas densidades para variados produtos e tipos de produção, a rentabilidade não depende do tamanho mas do grau de investimento e tempo, deixando o local decidir o que produzir.

Agricultura Urbana- Casos de Estudo no Porto

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A "celebridade" deste pequeno produtor da Área Metropolitana do Porto surgiu após a divulgação da curta-metragem "O Último Agricultor da Foz", testemunho de uma das últimas pessoas do centro da cidade a fazer da agricultura o seu modo de vida  (ver este artigo sobre o mesmo Sr. Almeida que saiu no primeiro número da TimeOut Porto) e lembrou-me daquilo que se ouve dos mais velhos sempre que nos aproximamos dos limites do núcleo da cidade: "Isto aqui quando eu era novo era tudo quintas".

Por outro lado parece ter sido ultrapassado o ponto mínimo no número de agricultores (formais e informais) devido a um tímido mas crescente interesse na agricultura urbana na cidade, ainda que sobreviva o ímpeto de construir mais (como no caso do Vale do Coronado, que corre o risco de se transformar numa plataforma logística, entretanto adiada).


Pelo menos nos últimos anos surgiram dois projectos profissionais interessantes em Vila Nova de Gaia: o Cantinho das Aromáticas, (provavelmente conhecido de todos) que tem no Luís Alves não só um coordenador inovador como também um excelente divulgador ao público de boas práticas ambientais e agrícolas (vejam o excelente canal do youtube do Cantinho), vendendo sobretudo limonete seco para exportação, bem como uma excelente linha de tisanas; e a Raízes.org, que faz produção de hortícolas e distribuição de produtos biológicos na área metropolitana. Ambos colaboram para organizar a Festa da Primavera, na Quinta do Paço.

Agricultura Urbana- Casos de Estudo [III]

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@LittleCityGardens

"SPIN-Farming" e "Little City Gardeners"
(e muitos outros...)

Escolhi agora dois exemplos de empresas de agricultura urbana nos EUA que se destacam dos dois anteriores porque foram criados de raiz para serem modelos de negócio orientados para o lucro (o primeiro caso começou como uma experiência doméstica e o segundo como instituição de apoio social).

Ambas são micro-empresas que se dedicam à produção de alimentos (sobretudo hortícolas) em modo de produção biológica (versão EUA) e estão baseados em duas mega-regiões metropolitanas dos EUA: Filadélfia com 6 milhões de habitantes e São Francisco com 8 milhões. Estes grandes mercados, combinados com a consciência crescente em relação à qualidade da alimentação, o comércio justo, o "locavorismo" e a agricultura biológica, tornam possível criar uma base rentável para estes negócios que estão a aparecer em grande número nos EUA. São apenas dois exemplos de vários.

Ambos começaram por ser negócios de jardinagem e consultoria em paisagismo e reconfiguraram-
se para ter também a produção hortícola, fornecendo vários serviços:



- Instalam "Jardins Produtivos" e hortas para uso doméstico ou comercial

-Alugam locais sub-aproveitados, baldios, etc para complementarem os espaços próprios que têm, negociando compensações com os senhorios. Ex. Uma escola contrata-os para conversão de parte do espaço numa horta e o "pagamento" é feito por uma cedência de espaço num período de tempo.

-Fazem formação em horticultura intensiva, paisagismo, jardinagem, etc.

- Fazem produção de hortícolas para mercados biológicos locais, explorando nichos acessíveis a pequenos produtores como: saladas frescas pré preparadas, germinados e rebentos para saladas, plântulas para transplante, flores comestíveis, ervas aromáticas frescas, refeições crudívoras e veganas frescas pré-preparadas, alimentos para aves biológicos, sementes, etc.


A empresa SPIN Farming tem uma interessante foto-galeria no site deles. Apesar de estarem bastante dependentes de uma demografia bastante específica destas grandes cidades parece-me que existe potencial em Portugal para meios de produção semelhantes para um mercado menos restrito. Gostava de vir a saber se este tipo de actividade consegue ser competitiva com o nível de "educação alimentar" que temos, que julgo estar bastante a leste do significado político e ambiental da comida atribuído nos EUA mas que valoriza mais os seus aspectos tradicionais e autóctones.

Agricultura Urbana- Casos de Estudo [II]

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 "Growing Power"

Este projecto com sede em Milwaukee, nos EUA, é bastante mais complexo do que a exploração familiar anterior mas tem na sua génese o mesmo conceito comum: alcançar uma produção de alimentos ambiental e comercialmente viável em ambiente urbano.
Foi fundado por Will Allen como um programa educativo destinado a ensinar jovens de bairros degradados a produzirem alimentos para a sua comunidade, geralmente fora dos circuitos de distribuição de produtos frescos e não processados, os chamados "food deserts", zonas com a maior densidade de cadeias de fast-food, pior alimentação escolar e menor poder de compra. O projecto tem três focos principais: componente formativa e educativa relativo à agricultura e alimentação sustentável/saudável; serviços de consultoria e instalação de tecnologia agrícola e a comercialização de produtos próprios e de valor acrescentado, sob uma cooperativa de vários produtores locais.

 O factor espaço versus produtividade é aqui ultrapassado de formas bastante criativas e foi mesmo o primeiro local onde vi descritas algumas técnicas que vêm do conhecimento tipo experiência e erro do seu fundador, como por exemplo:

-As plataformas de cultivo estão totalmente dentro de estufas, sobre tabuleiros dispostos na vertical e utilizando "aquapónica", ou seja cultivando legumes e criando peixes vegetarianos (tilapia e perca) num sistema fechado e sucessivo. Isto torna possível alimentar os peixes com parte da produção vegetal (incluindo resíduos), e estes fertilizam o solo (com os dejectos depositados) e  fornecem carne. Este curioso sistema permite-lhes cultivar uma grande diversidade de alimentos no que é basicamente um loteamento industrial abandonado e convertido numa estufa com uma estrutura que suporte os três níveis: plantas, aquários e contentores de composto.

-A compostagem e vermicompostagem são meios essenciais para manter a fertilidade do solo colocado nos recipientes das estufas. O composto vem de uma quinta próxima, dos resíduos domésticos do bairro (que beneficia de uma recolha de lixo orgânico, com separação) e de uma fábrica de cerveja e café na cidade.


Estes são os únicos inputs de fertilidade nas instalações (gratuitos porque vêm de um serviço que a GP presta) , e são reaproveitados várias vezes no sistema antes de saírem sob a forma de carne ou vegetais. O composto é conservado no interior das estufas para suprir parte das necessidades de aquecimento do espaço. A vermicompostagem serve também de produto para venda (minhocas e excrementos), de suplemento proteico para as aves e peixes e como motor principal da fertilidade do solo.

-O projecto tem também os animais de menor impacto na sua exploração - abelhas, galinhas e cabras- para venda de derivados e carne. As cabras pastam em baldios na cidade e também fazem um serviço pago para limpeza de terrenos. Os alimentos dos animais são produzidos na própria exploração.



A Growing Power tem-se tornado a voz mais importante não só sobre agricultura sustentável mas também sobre como cidades com problemas graves de pobreza e doenças relacionadas com alimentação são oportunidades para a criação de emprego, segurança alimentar e educação.
Para saber mais sobre este projecto o Will Allen faz aqui uma apresentação de diapositivos bastante clara e sintetizada.


Imagens de Growing Power

Agricultura Urbana- Casos de Estudo [I]

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Path to Freedom, Pasadena CA
 Esta é uma empresa familiar (4 adultos) localizada em Los Angeles, Califórnia que começou como uma produção em pequena escala de hortícolas para consumo próprio. Esta ideia evoluiu para um projecto de "auto-suficiência" (no maior grau possível) que inclui autonomia energética através de painéis PV e AQS, recolha de água da chuva para rega e de óleos alimentares para combustível do jipe de distribuição, processados num digestor próprio.
Com a evolução do conhecimento dos membros evoluiu para uma ocupação bastante eficiente do reduzido espaço (apenas 360m2!), transformando-se numa pequena empresa fornecedora de frescos.


A exploração comercial é caracterizada por:

- Produção de produtos de baixo custo de produção como germinados (rebentos para saladas); saladas, plântulas para transplante
- Produção de produtos exóticos ou de difícil de conservação como saladas asiáticas ou ervilhas frescas e também de espécies vegetais comestíveis locais (heirlooms)
-Produção de produtos caseiros de valor acrescentado como compotas, molhos e conservas
-Produção de Sementes de Agricultura Biológica para venda por correio

 










Osclientes são sobretudo:

-Contratos com restaurantes biológicos/health food/gourmet/catering locais
-Compradores por internet (sementes e conservas)
-A exploração envolve-se em acções não-lucrativas como educação alimentar e agrícola a crianças e apoio à escola do bairro
-Produzem também, para consumo próprio, fruta, mel e ovos

Para tornar tudo isto possível aplicam algumas tecnologias incontornáveis para agricultura urbana no seu clima seco, por exemplo:

-Recolha de água da chuva pelas coberturas, para rega e lavagem
-Usam "ollas", potes de barro enterrados que regam por capilaridade
-Usam rega conta-gotas ligada aos tanques de água da chuva
-"Square-foot gardening", uma forma de cultivar hortícolas em solos profundos e de composição
constantemente controlada, usando "camas elevadas"
-"Jardinagem vertical", criando armações metálicas que funcionam como suportes para trepadeiras (privilegiadas em relação ás formas arbustivas), sejam maracujás, kiwis, tomateiros, feijões, abóboras, melões, pepinos, etc. É uma forma eficiente de duplicação do espaço e regulação térmica do microclima do jardim.













O facto de esta exploração ser também a base de um fórum bastante popular e ser bastante divulgada nos media americanos torna-a num exemplo influente do que poderiam ser, numa escala menos ambiciosa, centenas de milhares de hectares em cidades por todo o mundo. Esta tipologia prova que é possível atingir atingir nichos comerciais para produção agrícola em grandes cidades e manter uma micro-exploração viável.

Todas as imagens são da Path to Freedom