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Apontadores [XXI]: Autóctone

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Alguns apontadores sobre produtos, raças de animais e variedades de plantas de Portugal

Mapa dos DOP/IGP
Uma lista completa de todos os produtos alimentares com origem e/ou método de fabrico protegido. Não é só o que podíamos exportar e consumir mais, é um património. Aqui em lista por extenso, e aqui só as frutas.

Programa para a Promoção dos Ofícios e das Microempresas Artesanais
O programa de apoio à complentariedade de actividade agrícola com actividades artesanais da DGADR. Boas intenções mas os moldes são ainda tímidos para o potencial que por enquanto ainda vai existindo.

Ruralbit - Fotografias de Raças Autóctones
Uma base de dados informal mas com todas as raças e com alguma informação básica sobre cada uma. Cada raça tem uma associação própria que em parceria com o Governo ajuda a definir os padrões.

Federação Nacional das Raças Autóctones
Uma lista de todas as associações encarregadas de proteger o património genético e que prestam alguns serviços de consultoria e contactos de criadores para os interessados

Apoios complementares aos criadores de raças autóctones
Nas raças elegíveis não faz qualquer sentido que esteja destacada a raça bravia (usada nas touradas) e depois não apareçam raças que estão associadas a produtos IGP como a Cachena. Um absurdo.

Flora de Portugal
O portal Flora-on é um tesouro de referência rápida, fico sempre impressionado com as variedades silvestres que não imaginava que existiam

Plantas Invasoras de Portugal
O reverso também é importante conhecer, como esta lista das plantas invasoras no país, com uma descrição  sintética. Também não imaginava que algumas destas fossem invasoras.

Banco Português de Germoplasma
Um património vivo único no mundo que é mantido em Braga tem uma história de luta contra a extinção que dava um filme. O maior banco de germoplasma da Península e contribuidor para os congéneres mundiais merecia mais do que nunca o mesmo reconhecimento e cuidado que se dá às reservas de ouro em Lisboa.

Mapa Etno-Musical de Portugal
Muito interessante este mapa interactivo, que inclui alguma da música tradicional da lavoura (com recolhas de M. Giacometti). Por bairrismo e não só gosto da muralha sonora do Canto Polifónico Minhoto, alguém ponha estas mulheres a desafiar os homens da variante Alentejana.

Bzz

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Não existe maior aliado dos agricultores do que as abelhas, ás quais estes insistem também em roubar anualmente o tesouro culinário, terapêutico e utilitário que produzem.
Por causa disto é inevitável a admiração e a necessidade de aprender a arte de as roubar e preservar, porque apesar dos serviços cruciais que oferece ao Homem este conhecimento vai recuando.

Alertado inicialmente por este vídeo do TED sobre as ameaças enfrentadas pelas colónias (com várias frentes) também fiquei a saber da estranhamente semelhante personalidade dos apicultores, que constatei ao procurar por quem me iniciasse, sem o ter conseguido.

Os apicultores têm muito gosto em partilhar informação e ver reconhecido o valor do seu trabalho, mas muitas reservas quanto a transmitir conhecimentos de forma prática, e as associações profissionais não estão suficientemente activas na formação de novos apicultores. Muitos são já idosos ou receiam o flagelo cada vez mais comum do roubo de colmeias, pelo que se tornam mais reservados.
Felizmente existe esta excelente excepção, de um apicultor que partilha bastantes pormenores e curiosidades do quotidiano da actividade mas através do seu blogue.

Mas eis que acaba a espera - a Casa da Horta no Porto, e a Paredes em Transição organizam cursos práticos de apicultura especialmente direccionados para quem vai definitivamente começar esta prática. Estou com vontade de que a pilhagem às pobres abelhas dure várias décadas, a partir de Junho deste ano. Entretanto, é melhor não me esquecer de uma das primeiras dicas que recebi: nada de braguilhas de botões, é que "se elas puderem entrar então entram de certeza". Dito sem nenhum sorriso ou indício de piada. Gulp.

(para fechar, via Luís)

"Voltaram"

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por Miguel Esteves Cardoso PÚBLICO, 24-02-2011

"É Fevereiro e já voltaram as andorinhas. Estou a ouvi-las agora. Voaram 8 mil quilómetros para cá estar. Nunca chegaram tão depressa.

Obrigado, andorinhas, vindas da África do Sul que, tendo chegado ao Algarve e continuado até ao Alentejo, tenham teimado em continuar até Colares, até à minha janela. Sinto a sorte que tenho, perante o pouco que vos ofereço e o muito que me trazem e alegram.

Também elas, pelo chilreio e pelas caligrafias que escrevem no céu, parecem frenéticas de felicidade, como se tivessem tido medo que este lugar tivesse sido destruído enquanto estiveram fora. Não há euforia como a do passageiro ausente que volta e é perdoado pela ausência, pela teimosa permanência do lugar abandonado.

É uma grande viagem que elas fazem e, quando chegam, voam mais do que voaram - dando voltas e piruetas escusadas, sentindo-se desobrigadas de voar num só sentido, a direito até Portugal, livres. Dessa libertação do destino vem uma histriónica euforia, linda de se ver, em que parecem estar a fazer voos de aquecimento e exercícios de estilo, como quem ainda vai viajar.

No dia em que voltaram, a Maria João disse-me que viu bandos de andorinhas em Lisboa. Na Segunda Circular, aproveitando o limite de velocidade: não estamos a falar de aves amadoras. Distribuem-se bem as andorinhas. A ocupação até parece combinada, mais para espalhar o encanto do que para aligeirar o encargo.

Voltaram. Acabou o Inverno. São as nossas melhores visitas. Sejam bem-vindas."