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Concurso de Cães Pastores no Freixo do Meio 





Não há grande oportunidade para passar em todas as actividades excelentes na área do ambiente e agricultura que têm vindo a aumentar e a melhorar em qualidade por todo o país. 
Este ano fui pela primeira vez ajudar e participar no incontornável Encontro de Primavera, uma experiência inesquecível e absolutamente imperdível para crianças e pais com braços doridos de tantos puxões em direcção ás muitas actividades.

Não sei se consigo ir a todos ou mesmo a algum destes outros famosos eventos de Verão nos quais gostaria de me estrear mas marquei-os na agenda na mesma e pelo menos ficam aqui como sugestão e pretexto para conhecer melhor algumas regiões do interior:

Festival Salva a Terra - Festival de música e ambiente em Idanha-a-Nova, de 7 a 10 de Junho
Burro I L Gaiteiro - Cultura Tradicional e o Burro Mirandês em Miranda do Douro, de 25 a 29 de Julho
Bons Sons - Festival de música portuguesa na aldeia de Cem Soldos, sem edição em 2013?
Andanças - Festa da Música e Dança Popular, este ano mudou para Castelo de Vide, 19 a 25 de Agosto
Cine'Eco - O Festival de cinema ambiental que acontece em Seia, de 19 a 26 de Outubro

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A Rita Tomás partilhou também nos comentários ao post anterior um interessante ciclo organizado pelo Teatro Maria Matos , por onde já passou o Anselm Jappe, que deixou esta interessante entrevista no Público, e onde ainda vão falar Tim Jackson a 24 de Junho (que tem esta intervenção no TED) e Viriato Soromenho Marques (que tem crónicas no DN), que é importante escutar no dia 16 de Julho. Fica esta citação do Tim Jackson:

"The story of current social values is the story of us, people, being persuaded to spend money we don't have on things we don't need to create impressions that won't last on people we don't care about. (...)This is the basis of our growth-dependent society, even after hitting the wall in 2008.(...) This tragically creates an absence of purpose for people as well as an impossible standard for economies."

Actualização: O Festival Bons Sons só se realiza em anos pares, ou seja a próxima edição é em 2014

WWOOF em Portugal: algumas dicas

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Missão cumprida - um dos rebanhos preso para sanitização das patas


Depois das minhas (ainda escassas) experiências pediram-me alguns conselhos sobre o WWOOFing.
É importante ter a noção de que o WWOOF é no fundo uma forma de turismo fora do convencional cujo "financiamento" é pago com trabalho voluntário directamente (diferente em natureza, intensidade e responsabilidades)  em vez do dinheiro ganho com o trabalho formal no resto do ano.

Algumas perguntas úteis para decidir se se deve ir e para onde ir

-O objectivo é fazer wwoof em Portugal ou no estrangeiro? (existem vários sites para cada país)
-Se for em Portugal, alguma zona ou tipo de paisagem específica? (muitas diferenças de trabalho)
-O objectivo principal é aprender algum tipo de actividade, conviver ou visitar uma região?
-Que tipo de trabalhos não são aceitáveis e quais são desejáveis?
-Que carga horária é aceitável? (maioria dos anfitriões pede 4-6 horas diárias, 5-6 dias por semana)
-Querem trabalhar com animais ou querem evitá-lo? 
-Que tipo de alimentação e alojamento preferem? (é fácil encontrar locais vegetarianos)
-É preferível uma quinta com só mais 2-3 pessoas ou uma com mais 15 pessoas? (muito diferente)

Sinais de um bom anfitrião:

- Tem um perfil com muita informação, fotos e localização (só visível após pagamento de inscrição no site)
- Se recebe voluntários há algum tempo tem boas referências
- Responde aos emails e telefona em alguns casos para saber se a pessoa é de facto compatível
- Insiste em saber horas, condições e que tipo de voluntário vai receber e quer recebê-lo bem
- Adapta o voluntário ás necessidades da quinta mas também aos seus interesses e aptidões
- Não trata os wwoofers como mão-de-obra barata, toma as refeições com eles e está disponível para partilhar conhecimentos

Sinais de um bom wwoofer:

- Tem um perfil com foto e informação relevante sobre si e o que pretende com o wwoofing
- Lê cuidadosamente o perfil do anfitrião e faz um pedido específico para este, nunca envia copy/pastes
- Faz só um pedido de anfitrião para cada data, aguarda resposta deste e só manda pedido a outro depois de passar um tempo razoável sem resposta ou depois de resposta negativa
- Aparece na hora, local e data marcada
- Cumpre os horários de levantar, comer e trabalhar e adapta-se a situações diferentes
- Dá-se bem com pessoas (muito) diferentes e respeita os hábitos e modo de vida do anfitrião

Tipos de quintas mais habituais (ter noção que 3 em cada 4 são de estrangeiros):

- O projecto de permacultura/eco (quase sempre muito recente), feito "sem pressas" por pessoas mais ou menos inexperientes. Bom para convívio e turismo, mau para aprender algumas aptidões (como maneio animal) mas bom para partilhar o que é quase sempre uma experiência de vida nova também para os anfitriões. Ás vezes com bastante (demasiada) gente.
- A Quinta de reformados com muito tempo e dinheiro nas mãos, mais perto de um jardim enorme do que uma quinta. Excelente para relaxar, comer bem e trabalhar pouco e convívio mais light, mau para fazer trabalho mais significativo do que somente jardinagem e ter uma experiência mais próxima do espírito da coisa.
- A quinta-empresa, excelente para aprender aptidões e saber trabalhar no quotidiano de uma quinta "a sério", boa para trabalhar, mais difícil para conviver com pessoas ou usar o tempo livre.
- A "armadilha", que são quintas que usam o wwoof para ter trabalho escravo e misteriosamente não são expulsas da rede (existem 3-4 assim ao todo). Felizmente raras e ausentes da minha experiência.
- Todo o resto - se calhar a categoria mais interessante mas mais rara, com pessoas muito diversas e ás vezes uma mistura das melhores qualidades e/ou experiências mais extremas.

Truísmos [XV]

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"Existem dois modos de conhecer uma paisagem - uma é percorrê-la, outra é comer aquilo que oferece."

Orlando Ribeiro (ouvido aqui)

Crianças, Natureza e Fins-de-Semana

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Na sequência do apelo anterior ao pasto extensivo dos "piquenos", perguntam os pais exaustos: "Mas levá-los onde ao fim-de-semana?". Julgo que no Noroeste a dificuldade está na escolha (e de certeza que é igual no resto do país), com a quantidade de lugares bestiais que tenho vindo a acumular na procura do meu Walden.

Eis alguns programas para o Norte, todos tão interessantes quanto "low-cost", e nesta fase tão facilmente poderia sugerir estes três como mais 30:

Um Bocage em Salreu
 - Passeio na Ria de Aveiro. Pode ser feito a pé mas é absolutamente fácil para uma criança fazer um dos percursos marcados de 10-15 km (rigorosamente planos) de bicicleta. A quantidade enorme de bicharada que se pode ver nos campos é garantia de muitas paragens interessantes. Como o acesso em Salreu fica mesmo em frente à estação de comboio do mesmo nome e como se podem levar bicicletas gratuitamente dentro das composições desde S. Bento não há desculpa nenhuma para não experimentar.
Existem espaços para fazer um piquenique.

Foz do Minho, aquela esquina arborizada é o Camarido, a "ponta" noroeste de Portugal



- Praias, praias e mais praias. Diz-se que o Nortenho se distingue bem nas praias do Sul porque é o único que leva sempre pára-vento mas o Bóreas não traz só desvantagens- torna muitas vezes mais ameno um passeio de bicicleta, que pode começar nas praias de Gaia ou de Caminha (servidas pelo comboio) ou servir de pretexto para ir a Vila do Conde (com metro) ou ao Parque Natural Litoral Norte em Esposende. As voltas normalmente terminam no mar ou na areia de papo para o ar e livro em cima da cara .

Vale do Rio Homem e Mata da Albergaria, vistos da Geira Romana


- Gerês. Se calhar não precisava de dizer mais nada mas há um bom motivo para justificar a fama, que é fácil de constatar ao deixar o carro (ou sair do autocarro da Empresa Hoteleira do Gerês, a partir de Braga) em Campo do Gerês(ou na Vila) e ir até à Portela do Homem através da Mata da Albergaria, algo que se faz de bicicleta ou a pé com paragem nas margens do Rio Homem (provavelmente o nome mais literário de sempre).

Passeios anti-crise e que deveriam fazer parte da rotina de muito mais gente, sem desculpas nesta altura.

À procura de $$$

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Mesmo espartana, a experiência de dois anos de Thoreau teve como uma base uma instalação de custo zero (os terrenos eram da família) e algumas poupanças que, mesmo irrisórias, participavam quotidianamente naquilo que não podia produzir (cereais, óleos e sal, sobretudo).
A auto-suficiência é um ideal bastante heróico e motivador mas não é totalmente realista se o que se pretende é uma conciliação da máxima qualidade de vida com o mínimo de "custos de manutenção".
É uma relação tensa, cujos atritos são difíceis de gerir, mas a síntese faz tudo valer a pena- mesmo se, como diz o T. , podemos não acumular riqueza enquanto nos tornamos "milionários de tempo".
E como ganhar o suficiente para cobrir o que for necessário em relação a saúde, educação, lazer e também o que não se produz?

Foram surgindo umas dicas ao longo do tempo:

CSA: Criar uma cooperativa com um cabaz mensal de determinado produto excedente, que dadas as pequenas dimensões da exploração teria que ser algo de valor acrescentado, como:


Produção Extensiva de Carne : Teria que ser de gado miúdo e de baixas exigências de alimentação, como caprinos ou ovinos, se houvesse nas imediações pasto disponível em baldio ou em arrendamento. Ou então aves, em combinação com pomar. Seria sempre em pequena escala, para cobrir gastos em alimentação, sobretudo.


Produtos Transformados: Produtos passíveis de serem fabricados com um pequeno excedente de produção, como mel, queijo, molhos, etc.Isto agora que a legislação permite vender e fazer isto em casa.


Conservação de espécies Autóctones: A par do espaço disponível e da produção de produtos de origem animal, poderiam ser escolhidas espécies autóctones que são alvo de apoios da PAC, alguns são fornecidos e gratuitamente controlados por associações específicas.


Rações para MPB: Com o contacto com pequenos produtores e amadores constata-se facilmente que nem as rações disponíveis para aves são económicas nem é possível adquirir lotes sem presença de OGM ou cereais de má qualidade.


Trabalhos Sazonais de Cultura: Por todo o país existem épocas em que se pode complementar o rendimento com a apanha de uva, laranja, cereja, azeitona, etc nas explorações de outros.


Plantas Aromáticas Secas: É um sector de valor acrescentado em crescimento no país, uma vez que o clima providencia épocas de crescimento mais longas e pode ser exportado já seco. Existe um momento propício à constituição de cooperativas deste tipo de produção.


Banca de Frescos: É a solução tradicional dos produtores, mas sofre de concorrência directa e intensa tanto de agentes locais como internacionais o que obriga à criatividade e conveniência- em vez de se venderem os legumes isolados, fazer molhos para sopa (tipo "ramo creme de alho françês para 3 pax"), saladas frescas já feitas, ou a vender transplantes de rebentos no início das épocas, por exemplo.


Serviços de Biodiversidade: É difícil explorar o mercado de donativos e serviços públicos, mas podem ser muito compensatórios (em satisfação pessoal e bancária) - podem ir do controlo de fogos usando gado caprino,  à plantação de árvores,  reconstituição de habitats, etc. Tem que haver experiência e know-how técnico demonstrado e fundamentado para conquistar confiança.


Formação: Um local pode ser o palco de formações sobre artes rurais de qualquer tipo, não apenas agrícolas e não apenas restringidas ao que é praticado ou que se conhece, um bom programa para acompanhar outras fontes de rendimento como:


Turismo de Natureza: Este tipo de turismo certificado abrange várias tipologias, desde as mais convencionais Casas de Campo, até ao Glamping sazonal e o agro-turismo. Tem condições específicas para ser bem sucedido, nomeadamente estar numa zona classificada (pelo menos Rede Natura) que seja imediatamente acessível a partir do empreendimento e outras valências como refeições e zona para banhos.


Dentro destas hipóteses existe uma diversidade enorme de exigências em termos de localização, área, acesso a mercados, competências, etc. mas não é de todo impossível a convivência de quase todos, mantendo o fundamental: um quotidiano variado e gratificante e a colmatação de necessidades económicas (e não só),  fazendo aquilo de que se gosta.