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Apontadores [XXII] : Listas

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Algumas curiosidades respigadas

Ten most Important Crops in the World

Eight Foods You Should Stock Up On Before Climate Change Takes Them Away

Twenty Fruits You Probably Don’t Know

Seis frutos e legumes que são a aposta da agricultura portuguesa para o futuro

Twelve Most Toxic Fruits and Vegetables

Doze citrinos de que nunca ouviu falar

Six Most Horrifying Lies The Food Industry is Feeding You


Fifty Things I’ve Learned from Tiny Farming

52 Wild Plants You Can Eat


Ratinho por uns tempos [III]

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Toda a frugalidade do modo de vida na quinta dos Märkl contrasta com a comida que comem, central a tudo o que rege a vida quotidiana. O objectivo fundamental é a auto-subsistência total, que atingem nos produtos vegetais e animais através da produção própria, complementada pela troca (por exemplo do sal grosso ou do azeite, uma vez por ano). A actividade da queijaria paga tudo aquilo em que não se pode evitar o vil metal.

Regem-se também por algumas regras simples que estão implícitas à paixão e orgulho que têm pela sua autarcia, apesar de todas as suas contradições: os ingredientes são sempre o que está mais fresco e em maior quantidade (só comem na época); atacam as conservas entre Outubro e Março (não cheguei a provar ou a ver mais do que as sobreviventes do ano anterior); matam e comem um animal que é "esticado" por várias refeições (quase uma semana um borrego, 3 dias um frango); metade das refeições são (ovo-lacto) vegetarianas.

É possível que seja do apetite do trabalho intenso mas foram inquestionavelmente algumas das semanas em que melhor comi na minha vida e em que felizmente recuperei algum peso dos quase 8 kg que perdi por motivos de saúde nos dois meses anteriores, quando receava que a minha estadia como voluntário poderia agravar esse problema.



A rotina alimentar do Verão:

- O pão é feito no forno a cada 2 dias, uma mão de massa é embrulhada num pano e enfiada na gaveta para fermentar e juntar à massa seguinte. O pão é sempre diferente e sempre excelente porque o hiperactivo M. aborrece-se e põe lá azeitonas, figos, oregãos, presunto e o que mais lhe apetecer. Faz-se ao fim da tarde, fermenta até ao jantar, vai para o fogo a seguir à refeição, de manhã ainda está quente.

- Os sub-produtos da produção de queijo como o soro vão para fazer manteiga fresca (de longe a melhor e mais leve manteiga que já provei, branquíssima) ou requeijão, a moeda de troca principal com os vizinhos e que vai sempre temperado com ervas frescas e limão. As duas formas de aproveitamento do soro são feitas todos os dias, alternadamente e por vezes já depois da meia-noite. O requeijão fresco é de longe melhor que o seu queijo curado na minha opinião mas a sua comercialização formal é-lhes interdita por causa das exigências sanitárias. Em vez disso é moeda de troca com vizinhos, por tabaco por exemplo.

- O sumo de eleição é um concentrado de uva que procurei convencê-los a vender também com o queijo mas não acreditaram que fosse assim tão bom. Não conheço qualquer mistela de pacote que lhe faça frente e eles não fazem ideia da pouca concorrência que têm por isso desconsideram o que fazem. Pediram-me para deixar de beber uma garrafa por dia (que tinham oferecido mas que não pensavam de que viesse a gostar tanto) porque também a usam para troca.

- Todos dias ao final da tarde vai-se espreitar a horta e recolhe-se o que está demasiado grande, caído, estragado ou em excesso para a alimentação da noite dos animais e uma porção de cada tipo de vegetal (leguminosa, couve, raíz, fruta) para o jantar e almoço do dia seguinte. Ao jantar coze-se ou assa-se, no almoço do dia seguinte salteia-se.

- Fora uma vez ou outra no Inverno nunca fazem sopa, que consideram uma incompreensível obsessão portuguesa. Como português foi a única coisa de que senti falta, e com um pão com queijo é uma refeição em si mesma, fácil e rápida de fazer e que aproveita absolutamente tudo, desde a água a restos de legumes e carne. "Comida de bébé", dizem os anfitriões.

Album [XVII] - Aqui cozinha-se

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Truísmos [XV]

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"Existem dois modos de conhecer uma paisagem - uma é percorrê-la, outra é comer aquilo que oferece."

Orlando Ribeiro (ouvido aqui)

TV Rural [XVII] : O Nosso Veneno Quotidiano

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Este documentário recente sobre as diversas formas de contaminação no sistema alimentar e os processos políticos de regulação do mesmo passou na RTP2 na semana passada em horário nobre.
Como gerou muita (merecida) atenção e muitos só o apanharam a meio aqui fica o filme completo.

Apontadores [XIV] : Infografias sobre alimentação

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A Good investe muito em trabalho gráfico de boa qualidade, aqui fica uma recolha temática

2 anos de comida consumida por uma pessoa
Bastante próximos da nossa, excepto a ausência de pão e o fraco papel da sopa

"Tribos" da alimentação
Um comentário cómico sobre uma divisão essencialmente intelectual

O efeito multiplicador da agricultura
A importância de um tipo de desenvolvimento agrícola em países com grandes populações rurais

Como e onde desperdiçamos comida?
Qual a proporção entre desperdícios domésticos e os da indústria alimentar?

A dieta do Paleolítico vs dieta Moderna

Uma comparação curiosa entre dois extremos cronológicos e dietéticos

Comida da prisão e comida da cantina da escola

O Estado americano distribui de forma homogénea a sua negligência

16 cts em cada dólar vão para o agricultor. E o resto?
Uma divisão do produto da venda por função

Queda e Ascensão do Mercado Municipal [II]

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Mercat de San Josep @noeluap
Se existe então a intenção de apoiar um comércio de proximidade constituído por pequenas ou micro empresas que mudanças podemos procurar que signifiquem maior conveniência e qualidade sem sacrificar os seus aspectos positivos?
Este é o cerne da iniciativa de modernização levada a cabo pelo município de Barcelona em todos os seus mercados, um modelo que é hoje exportado por todo o mundo e que procura combinar os aspectos positivos das grandes superfícies e do comércio tradicional e pode ser sumarizado em alguns pontos:



- Os mercados são espaços assentes sobre zonas pedonais da cidade, que foram reformuladas ao mesmo tempo que o próprio mercado, privilegiando este tipo de comércio de proximidade que não depende de grandes superfícies de estacionamento ou viagens de automóvel
 
- Existe uma marca Mercats de Barcelona comum a todos os mercados mas com ligeiras variações para cada espaço. Os comerciantes aplicam esta marca na sinalética, embalagens e algum vestuário, unificando a rede e reforçando a noção de que a qualidade está distribuída por todos

- Oferecem-se todos os serviços e amenidades de qualquer hipermercado, como wi-fi nos espaços (sempre com zonas de estar dentro do próprio mercado), loja online, entregas ao domicílio mas também educação alimentar, aulas de culinária e formação com assuntos relacionados com saúde e alimentação

- Os clientes são encorajados a provar os produtos, a conhecerem melhor o seu uso e a estabelecerem uma relação de fidelidade com o seu fornecedor, que tende a ter um conhecimento mais aprofundado dos seus produtos específicos

- A entidade gestora coordena não só a manutenção dos espaços e a identidade mas dinamiza-o constantemente, com feiras temáticas, actividades gastronómicas e publicidade global  (ver a activa página FB do grupo). Coordena também a variedade de oferta, para que tenham uma conveniência ao nível de uma grande superfície.

-São retidos muitos aspectos socialmente significativos que são valorizados pelos clientes: os comerciantes são donos do seu próprio espaço por longos períodos; no seu conjunto tratam-se de pequenos distribuidores o que por sua vez os leva a negociar com pequenos produtores, esforçando-se para se diferenciarem dos restantes comerciantes; existe uma relação entre o produto e o vendedor para os clientes, etc.



Que desafios se colocam perante a aplicação deste modelo em Portugal, por exemplo no Porto, em que existem vários Mercados de grande valor arquitectónico e bem localizados embora em variados graus de declínio (Bom Sucesso, Bolhão, Foz, Massarelos)?  São vários e difíceis de resolver: cidades com centros vazios de habitantes, uma baixa área pedonal envolvente, hábitos de consumo acrítico, desvalorização da gastronomia e dependência do automóvel.

Uma vez que todos estes aspectos, embora ainda ubíquos, parecem felizmente dar indícios de algum enfraquecimento será que estamos prontos a dar em breve uma nova oportunidade aos mercados municipais?

Queda e Ascensão do Mercado Municipal [I]

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fonte
As chamadas grandes superfícies comerciais oferecem fundamentalmente 3 benefícios aos seus clientes: fácil acesso automóvel; concentração e diversidade de oferta e economias de escala, que lhes permitem fazer alguns descontos importantes. Esta conveniência ditou o seu sucesso, mas também implica fragilidades que facilmente a põem em causa. 

Como é  explicado aqui, a maioria dos hipermercados fica fora de centros urbanos onde não há muitas alternativas ao automóvel, cuja despesa e tempo de viagem envolvidos podem ficar mal na comparação com compras mais frequentes mas integradas no percurso quotidiano habitual, possivelmente nem usando o carro.
Ao mesmo tempo, a diversidade de produtos tem vindo a diminuir tanto nos frescos (onde o que existe de diferente são sobretudo produtos exóticos) como nos processados, com a predominância das marcas brancas que são também praticamente a única estratégia de poupança ainda disponível.

Um sinal destas alterações é o facto de que cada vez mais cadeias de distribuição procuram formatos próximos da "loja de bairro", implantando-se em zonas urbanas com tráfego pedonal em espaços de pequena dimensão. Porém o carácter dos espaços não permite atingir algumas das potencialidades dos mercados institucionais, que é a abertura aos produtores e outros comerciantes em nome próprio e obter um espaço cívico onde concorrem outras funções e formas de interacção para além do abastecimento em alimentos.

Por outro lado os mercados municipais que restam definham pelas mais variadas razões, desde falta de investimento na manutenção do existente ou criação de infraestrutura nova inadequada ou localizada fora de centralidades que permitam integrar os tais percursos quotidianos até ao declínio populacional de muitas áreas urbanas e a perda de mercado para o hábito de combinar shopping & hipermercado na mesma visita.

Existem alguns sinais positivos mas tímidos: nascem alguns movimentos de defesa destes espaços (embora demasiado focado no fundamento arquitectónico); existe alguma mobilização em torno do "compre ao produtor" e "comprar nacional" e vão aparecendo alguns mercados biológicos, que paradoxalmente ilustram bem um preconceito - são inexplicavelmente segregados dos mercados municipais numa localização mais adequada a um status elevado do MPB, na percepção dos promotores.

Não é possível manter o modelo do mercado municipal do passado nem é possível ignorar as potencialidades de um modelo reformulado de comércio tradicional num mundo que é cada vez mais crítico em relação ao que compra e ao modo como o compra.
Vou propôr alguns meios de reformulação dos mercados municipais na segunda parte.

Nerdgasm na Cozinha Sustentável

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Sou frequentemente o encarregado da cozinha cá por casa e posso dizer que é uma actividade que faço cheio de gosto e boa-vontade, só para não me demorar muito na descrição dos resultados.
Cozinhar frequentemente evidenciou a forma como isso afecta tanto a sustentabilidade como a economia doméstica: mais de 30% da comida é deitada fora; a maior parte da energia final de uma refeição foi usada na sua compra, refrigeração e confecção; 40% de todos os resíduos domésticos são compostáveis e, falando por nós, a alimentação feita em casa é a base da poupança possível, mesmo assim ocupando mais de 30% do nosso orçamento total. E tudo isto sem sequer ter em conta as opções que se fazem em termos de compras, que são outro universo.

Com esta maior consciência do impacto da cozinha tenho prestado mais atenção a meios de reduzir os desperdícios e o uso de recursos, ao mesmo tempo que procuro soluções menos convencionais, como nestes exemplos:

Esquerda: Field Kitchen da Kanz Outdoors Direita:  Are You Wheel? de Christoph Thetard






À esquerda está o sonho molhado dos campistas xoninhas e comodistas como eu, com tudo embutido numa mala que faz uma bem portuguesa e azeiteira paragem à beira da estrada para Arroz de Frango parecer um evento gourmet. Gosto da portabilidade para estadias de mais de um fim-de-semana.
À direita está o item número 1 para a minha lista de Natal: uma ciclo-cozinha que consiste num móvel com roda e pedais que põem a trabalhar um conjunto de electrohumanodomésticos já familiares.
A bicicleta já é a melhor invenção de sempre porque consiste numa simbiose eficiente entre homem e máquina, assim até puré faz! Simplesmente imbatível.
Aqui em baixo estão mais dois objectos de que não prescindiria se tivesse acesso a um jardim.



À esquerda está basicamente uma pia de cozinha amovível, que permite levar a água que se gastou (mas não contaminou) para o compostor, evitando perdas.
O segundo é um espectacular fogão a lenha  (montes de vídeos de americanos assustadores sobre ele), que ganhou um concurso para uma solução económica e ultra-eficiente, que permitisse rapidamente ferver a água e cozinhar com o mínimo de combustível. É agora enviado aos milhares para zonas que sofrem com desflorestação intensa devido ao uso de biomassa para quase tudo.

A par da minha solução predilecta de saneamento, parecem itens interessantes para um pequeno poiso "fora da rede", que use um mínimo de recursos sem recorrer à frugalidade de um buraco no chão e uma fogueira (desculpa HDT).

Guia de Maneio de Infantes

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Cada vez mais afastados da dieta mediterrânea e da verdadeira instituição nacional que é a sopinha a cada refeição, os nossos rebentos rebentam pelas costuras e competem agora com os campeões transatlânticos em volume.

Alguém disse um dia que "as crianças são animais de criação ao ar livre", relevando a especial aptidão das criaturas para a ocupação extensiva de parques, quintais e jardins e pelo facto de se manterem facilmente com modestas porções daquilo que até eles próprios podem plantar.

Para além de questionarmos o modo como produzimos os nossos alimentos deveríamos, com alguma coerência, perguntarmo-nos porque é que aplicamos a crianças a mesma lógica da estabulação permanente com ração de engorda que aplicamos (mal) a animais.

Are you local?

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Modelos como as CSAs estão em crescimento em alguns países, com a emergência de correntes díspares: procura de variedades e produtos menos comuns; preocupação com gastos energéticos com transportes; inclusão económica de pequenos produtores, etc.
Colectivamente estas considerações têm vindo a assumir a designação de "locavorismo", embora as prioridades ainda sejam pouco consensuais.

Sendo de certa forma relativa a questão da energia (maior parte da energia gasta nos alimentos é gasta em casa, assim como a maioria dos desperdícios) e bastante circunscrita a questão gastronómica (mais próximo nem sempre quer dizer melhor) acho bastante pertinente a vertente socio-económica e também ambiental, uma vez que transporte e refrigeração ainda têm algum peso nas emissões mas sobretudo se se tiverem em conta produtos e modos de produção de baixo impacto e/ou de suporte à paisagem e biodiversidade.

Nada impossibilita que os hipers apoiem este tipo de produção, inclusivamente comprando a CSAs locais (como a Whole Foods) mas o problema passa a ser um de escala, o que suscitou duas reacções bastante interessantes em dois casos nos EUA e em Portugal que permitem ultrapassar esta questão:

A mega-cadeia de retalho Wal-Mart anunciou que vai reduzir a sua cadeia de abastecimento, passando a fornecer-se da produção agrícola local:
http://www.nytimes.com/2010/10/15/business/15walmart.html

A Jerónimo Martins vai criar uma marca de comércio de rua, que nada impede que tenha também uma cadeia de abastecimento mais reduzida e que apoie oferta dos centros urbanos:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=465617

Estes dois exemplos não excluem a possibilidade de coordenação com um modelo cooperativo organizado (não sendo necessariamente uma CSA), com vantagens para produtores e consumidores, para além da comercialização directa- em São Miguel uma cooperativa de produtores de carne tem o seu próprio talho e restaurante (bastante famosos) e em Barcelona cooperativas de produtores de hortícolas têm "marcas" e bancas próprias.
Muitos mercados têm mercearias e outras lojas, que lhes dão uma abrangência de necessidades capazes de competir com hipers, se se somar também a sua localização tendencialmente central nas cidades, vantagem que se transformou hoje em desvantagem, situação que ainda pode ser revertida.
Basicamente, existem aqui pontes para conciliar os interesses de todos, se houver uma convergência de alterações:

- Se os consumidores valorizarem mais a produção nacional e local, reconhecerem valor nalguns produtos tradicionais e alimentação "na época", e frequentarem mais os mercados ou comércio de rua- tendência tímida mas crescente

- Se os hipermercados verem vantagens comerciais (logística, ambiente, "premium" social) em reduzirem a sua cadeia de abastecimento e/ou tipologias de loja, como evidenciado por estes exemplos

- Se produtores agrícolas forem capazes de apostar em formas de organização da sua produção que lhes permita concorrer ao nível do comércio local, seja em grandes superfícies e/ou com marcas próprias em mercados e lojas cooperativas e contribuir para o aumento do seu poder negocial e remuneração.

São indícios positivos de outras formas de comprar de forma social e ambientalmente responsável, mais equilibradas do a actual situação que se polariza entre a situação difícil de obter conhecimento de vários produtores deslocalizados e longe dos grandes centros de consumo e a massificação deslocalizada de produtos e abastecedores que exclui ou é apenas limiarmente compensatória para muitos produtores.

Apontadores [I]

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Público:"Portugueses comem carne e pescado a mais e hortícolas e leguminosas a menos" 

Portugal é hoje um país que ingere quase o dobro das calorias recomendadas, adoptando a pirâmide alimentar invertida de outros países mais desenvolvidos que enche cada vez mais alas de Cardiologia pelo mundo fora. Boas notícias: sobe o consumo de aves e o azeite mantém-se como rei. Más notícias: O nosso hábito de comer peixe mergulhou, e alguém anda a fugir à sopa.

Guardian: "Dwindling biodiversity raises disease risk in humans, study finds"

Mais uma peça evidente na defesa dos serviços da biodiversidade, para além dos óbvios prestados à agricultura e possivelmente mais um passo para que se valorizem também o trabalho de pessoas que zelam pela sua manutenção. A Biodiversidade presta dois "serviços de saúde": um passivo, com o controlo de espécies que lhe é inerente e outro activo, uma vez que na sua variedade estão os segredos da medicina.

BBC: "Russia's Permafrost Not so Permanent Anymore"

Basicamente 60% da superfície do maior país do mundo é um sumidouro onde estão presos 80 biliões de toneladas de metano, o mais poderoso dos gases de estufa. Agora que descongela e se libertam todos os gases presos no solo vão-se formando lagos enormes todos os anos e as emissões aumentam exponencialmente. As opiniões dividem-se sobre se se está a assistir ao nascimento da maior superfície de cultivo de cereais do mundo ou ao mega-evento geológico que vai definitivamente causar uma espiral de colapso climático para além da nossa capacidade de adaptação.

SEWA: "A movement to transform women’s lives in India and beyond"

 

Numa formação de Educadores Ambientais falava-se de desenvolvimento, agricultura e sobre-população e disse na altura que a medida com maior peso individual para abordar todos estes problemas é melhorar o acesso das mulheres destes países ao emprego, sistema político e educação e também à posse de terra porque não é possível ter planeamento familiar e prosperidade quando 50% da população está impedida de participar. Toda a sala, sem excepção, estourou de riso, perante a minha estupefacção completa, que se prolonga até hoje, excepto quando leio estes relatórios que confirmam o que me parece óbvio.

Grist: "Today’s DIY women: Post-‘domestic’?

As mulheres mais "autónomas" e "independentes" de hoje são aquelas que mais objectos e tarefas domésticas conseguem fazer, muitas delas são coisas que nem as avós alguma vez aprenderam. Conhecendo a onda "neo-rural" que atravessa os EUA devo dizer que os blogues mais interessantes, as quintas mais inovadoras, os talentos mais impressionantes são quase sempre de mulheres, mas de longe. Cara Simone de Beauvoir: estas mulheres fazem posts sobre Asimov e depois vão ajudar a parir um carneiro.