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Apontadores [XI] : Biodiversidade

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Já houve esturjões em Portugal
Será que podem regressar em breve? Podiam ser alvo da mesma iniciativa que:

A libertação de uma das espécies de peixe mais ameaçadas em Portugal

O ruivaco do Oeste é reforçado em Torres Vedras

Reino Unido vai criar corredor de flores para preservar abelhas
Este corredor poderia ser basicamente um pasto extensivo pensado para abastecer também abelhas

População mundial de abelhas está a ser “bombardeada” por série de ameaças
Entretanto provou-se que a telecomunicações wireless têm influência na navegação destas criaturas...

Menos caçadores, menos agricultura, mais animais
A paisagem muda novamente e há que procurar novos equilíbrios, como em Trás os Montes:

Veados estão a tornar-se numa praga para os agricultores de Montesinho
Veados vindos de Espanha ocupam o nicho ecológico dos herbívoros que não existia há séculos

Como se guardam 74 mil hectares de área protegida em Montesinho
Relato breve mas muito interessante sobre o quotidiano de dois vigilantes do Parque Natural

Abutres atacam rebanhos
Burocracia fútil impede que um programa de alimentação evite prejuízos na pecuária

"Voltaram"

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por Miguel Esteves Cardoso PÚBLICO, 24-02-2011

"É Fevereiro e já voltaram as andorinhas. Estou a ouvi-las agora. Voaram 8 mil quilómetros para cá estar. Nunca chegaram tão depressa.

Obrigado, andorinhas, vindas da África do Sul que, tendo chegado ao Algarve e continuado até ao Alentejo, tenham teimado em continuar até Colares, até à minha janela. Sinto a sorte que tenho, perante o pouco que vos ofereço e o muito que me trazem e alegram.

Também elas, pelo chilreio e pelas caligrafias que escrevem no céu, parecem frenéticas de felicidade, como se tivessem tido medo que este lugar tivesse sido destruído enquanto estiveram fora. Não há euforia como a do passageiro ausente que volta e é perdoado pela ausência, pela teimosa permanência do lugar abandonado.

É uma grande viagem que elas fazem e, quando chegam, voam mais do que voaram - dando voltas e piruetas escusadas, sentindo-se desobrigadas de voar num só sentido, a direito até Portugal, livres. Dessa libertação do destino vem uma histriónica euforia, linda de se ver, em que parecem estar a fazer voos de aquecimento e exercícios de estilo, como quem ainda vai viajar.

No dia em que voltaram, a Maria João disse-me que viu bandos de andorinhas em Lisboa. Na Segunda Circular, aproveitando o limite de velocidade: não estamos a falar de aves amadoras. Distribuem-se bem as andorinhas. A ocupação até parece combinada, mais para espalhar o encanto do que para aligeirar o encargo.

Voltaram. Acabou o Inverno. São as nossas melhores visitas. Sejam bem-vindas."

Os pássaros gostam de Arquitectura?

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 O hábito milenar dos humanos de ter o seu próprio coro alado continua até hoje, com toneladas de cereais destinados a aves que não põem ovos ou não produzem carne para comer, mantidas num espaço equivalente a uma televisão e por vezes capturadas ilegalmente noutros países.
Diminuindo o hábito de conservar criaturas migradoras ou que normalmente dispõem de territórios num singelo recipiente de plástico e aço, muitos se satisfazem ou conformam com as espécies locais que vivem em liberdade, encorajando a sua presença para que sejam ouvidas e vistas, usando as familiares "casas de pássaros" (não como a partida maquiavélica da imagem ao lado).
Mas a maioria das aves que frequentam zonas urbanas em Portugal não precisa de uma "casa" mas de menor pressão ambiental, refúgio e alimento. Para garantir um coro privado basta ter por perto uma boa massa de arbustos e árvores, a ausência de gatos (maior repelente de aves) e algum alimento e água (facultativo). E já está, sem aventuras na nano-construção.

Os cantos de alguns "solistas" mais comuns em Portugal, observáveis quase todo o ano num passeio silencioso e sem pressa, mesmo num parque ou jardim urbano:

Pisco de Peito Ruivo
Melro-Preto
Rola-Turca
Tentilhão-Comum (com uma rola a passar)
Milheirinha
Verdilhão
Pintassilgo

Uma notícia relacionada com o tema: a Câmara Municipal do Seixal, perante a ameaça da processionária-do-pinheiro a estas árvores criou um programa de reforço de habitats para o chapim-real (essa sim um espécie que habita "casas" introduzidas por humanos), distribuindo casotas pela população, com consultoria especializada. Este predador natural das lagartas por sua vez também reforça a cadeia alimentar das aves de rapina da região. O chapim também tem um canto agradável, e imita por vezes o canto de outros pássaros.